Como professora de Jornalismo Online e tendo trabalhado nos mais diversos veículos de Comunicação desde a minha formação profissional, posso garantir que a tecnologia trouxe mudanças significativas para a prática do jornalismo. E é claro que toda mudança tem seus prós e contras, como é o caso da tecnologia.
Atualmente, não é possível fazer jornalismo, seja ele em televisão, rádio, jornal, revista e internet, sem pensar que estamos o tempo todo “conectados”. A tecnologia é usada constantemente a nosso favor. Quando tentamos ligar a internet ao jornalismo, tendemos a nos deter apenas nas mudanças ocorridas no jornalismo online, quando a transformação foi muito mais profunda.
Há 15 anos, quando se trabalhava em uma redação, a busca pela informação acontecia através de fontes (pessoas), leitura de jornais e muito, muito empenho da produção. Hoje, a fonte ficou mais acessível. Qualquer pessoa pode ser encontrada sem ao menos precisar sair da redação e, melhor, sem nem ao menos precisar gastar uma única ligação.
A facilidade nesta busca da informação e do entrevistado fez com que muitos jornalistas se acomodassem. Está a caminho a geração “gabinete”. Aquela que consegue exercer todas as funções jornalísticas diante da tela de um computador. Isso faz com que a principal riqueza de um jornalista, o contato com a fonte, fique cada vez mais distante. Os novos jornalistas, que chegam anualmente ao mercado de trabalho, muitas vezes se esquecem da importância de cativar boas fontes e, assim, fazer o “melhor” jornalismo.
Por outro lado, com a tecnologia, a informação se tornou globalizada e, consequentemente, o consumidor de notícia está muito mais bem informado. É possível acompanhar uma grande mudança política, ou mesmo uma catástrofe ambiental no Japão, estando no Brasil. Isso, no exato momento em que o fato acontece. O acesso à informação diversificou as possibilidade de se fazer e pensar jornalismo.
Então, como podemos receber essas mudanças tecnológicas? De braços abertos e com precaução.
Carolina Costa Mancuzo, jornalista, mestranda em Comunicação na UEL (Universidade Estadual de Londrina), coordena do Curso de Jornalismo da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista).