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O bom jornalismo

postado por Concurso CNN em 28 de abril de 2010

Por Amanda Camasmie*

Antes de ingressar na faculdade de jornalismo, uma recém-formada no curso me pediu para desistir. “O mercado é muito competitivo”, disse. Os fatos eram comprobatórios: a ex-estudante ainda não havia conquistado uma boa colocação no mercado de trabalho.

Hoje, o cenário não mudou. E talvez nunca mude. Promissores são aqueles que tomam consciência rapidamente do que é fazer jornalismo. Frequentemente, a equipe do blog Manual dos Focas tenta mostrar, por meio de relatos de jovens jornalistas, os desafios enfrentados por quem está iniciando na profissão. São histórias de profissionais que compartilham a crença de que o bom jornalismo busca uma boa reportagem onde menos se espera, ou talvez, até naquela obviedade em que ninguém presta atenção.

Muitos colegas com talento inegável têm tido dificuldades para se estabilizar na profissão. Nessa busca, passam a oferecer frilas a torto e a direito para os mais variados veículos de comunicação.

As respostas às ofertas de pautas têm seguido uma linha muito similar: não queremos sugestões que possam ser pesquisadas pela internet. Precisamos de coisas novas, que só possam ser encontradas nas ruas.

A questão é que essa novidade ainda escondida só pode ser contada por quem se dispõe a pisar no asfalto, no mato, na lama, ou seja lá onde for.

Sob o mote “Minha Cidade, Minha Vida, Uma Atitude”, o concurso da CNN desafia os estudantes a liberarem essa veia investigativa – aquela que passa longe de uma simples pesquisa em um motor de busca. Pessoas motivadas, novas e velhas ações, gente querendo fazer o bem. Todos estão à espera desse bom jornalista.

Descobrir e disseminar boas atitudes pode mudar a vida de muita gente e mostrar qual jornalista você irá querer ser no futuro: aquele que acha que faz a diferença ou aquele que buscará, todos os dias, tornar a diferença uma realidade?

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*Colaboradora do site Manual dos Focas, site direcionado a estudantes de jornalismo. Amanda é repórter em São Paulo.

A anatomia de uma reportagem premiada

postado por Concurso CNN em 26 de abril de 2010

Por Letícia Duarte*

(Advertência: estas linhas iniciais são só um “nariz de cera”: quem quiser pode pular e ir direto ao ponto, no texto abaixo)

Escrever em primeira pessoa é um negócio complicado para nós, jornalistas.

A gente aprende desde a faculdade que o “eu” não existe, que o repórter só tem de relatar os fatos, da forma mais objetiva possível, sem interferir na realidade.
E este princípio do assassinato do eu fica tão incrustado na gente que, mesmo quando não se está escrevendo uma reportagem, parece meio pecaminoso colocar uma experiência pessoal em primeiro plano.

Bom, todo esse “nariz de cera” (aquela enrolação que vem antes do assunto propriamente dito em uma reportagem!) é pra dizer que deparei com esse dilema ao escrever este post.
Queria contar uma experiência pessoal, por achar que ela poderia ser útil pra vocês, que estão se preparando para o Concurso Universitáriode Jornalismo CNN, mas ao mesmo tempo pensava: “Ih, vai parecer que tô me achando”. Pois bem. Doeu um pouco, mas pari o eu. Fecha parênteses.

***

Imaginem a seguinte situação: uma estudante de jornalismo do interior do Rio Grande do Sul faz uma matéria sobre prostituição juvenil para um jornal de sua cidade. Quatro meses depois, recebe a notícia de que essa reportagem foi indicada ao prêmio Esso de Jornalismo (naquele tempo ainda não existia o Concurso Universitáriode Jornalismo CNN!). Quando ela confere a lista dos finalistas, constata que está concorrendo com dois dos repórteres mais tarimbados do maior jornal do seu Estado (Nilson Mariano e Diogo Olivier, do jornal Zero Hora). E, quando chega o dia da solenidade, no Rio de Janeiro, tchan, tchan, tchan: a pirralha que ainda não havia se formado fica estática na cadeira, sem acreditar quando anunciam que ela deveria subir ao palco. O canhão de luz se volta para o seu rosto e ela ali, chocada, pensando: “como assim, ganhei?”

Parece inverossímil, eu sei, mas aos 22 anos vivi essa espécie de… exceção estatística (ora, ora, desde quando jornalismo tem conto de fadas?). Em 2002, dois meses antes de concluir a faculdade na Universidade de Caxias do Sul, na Serra gaúcha, recebi pela série de reportagens Adolescência Prostituída um dos prêmios mais tradicionais do país, na categoria Regional Sul. Na época, trabalhava como repórter no jornal Pioneiro, com o chamado registro profissional “precário”, autorizado pela Justiça na época.

Custei a acreditar que não tinham errado o nome quando me chamaram para subir ao palco, diante de uma plateia composta por alguns dos jornalistas que eu mais admirava no país, mas essa conquista inesperada se revelou para mim um exemplo extremo de como as boas histórias são imensamente maiores do que a inexperiência de quem as abraça – e, também, do tamanho dos veículos onde são publicadas. Moral da história: a pauta vale por si, independente se acontece em Washington, em Berlim, em São Paulo, ou numa cidade de 400 mil habitantes como a que eu nasci.

Pensei que seria interessante compartilhar essa experiência porque talvez vocês também subestimem, como eu subestimava, o poder das pautas que esbarram no nosso caminho – e nossa a própria capacidade pessoal em realizá-las. Acredito que um dos méritos da série Adolescência Prostituída tenha sido revelar um problema social comum a todas as cidades a partir de um ângulo diferenciado. Sim, porque muitos jornais já tinham publicado matérias sobre o assunto. Só que, às vezes, a pauta parece tão óbvia que se gente se esquece a riqueza dela.

O curioso é que a ideia surgiu a partir de uma dica de um professor da faculdade. No meio das discussões de uma revista universitária, ele comentou: “olha só, ouvi falar que agora têm meninas fazendo programa por R$ 1,99″. Na época, a revista da faculdade chegou a explorar o tema, mas não conseguiu comprovar o fato. Então propus aos meus editores do Pioneiro, onde eu trabalhava há cerca de um ano como repórter, que a gente investisse no assunto. Eles toparam e eu comecei a percorrer a cidade atrás das meninas. Passei mais de um mês espiando as esquinas, as praças, as beiras de estradas, em Caxias e outras cidades vizinhas, como Farroupilha e Bento Gonçalves. Pegava um carro sem logotipo, parava, descia e me aproximava das adolescentes. Propunha um jogo aberto: me apresentava como repórter e pedia que elas me contassem suas histórias, garantindo que elas não seriam identificadas. Perdi a conta de quantas vezes voltei para a redação frustrada: era difícil encontrá-las porque elas mudavam de lugar frequentemente, ou então fugiam quando eu me aproximava, mentiam, dissimulavam.

Mas, como repórter sem persistência também é repórter sem pauta, insisti. Recorri ao Conselho Tutelar, à Delegacia para a Criança e ao Adolescente Vítimas, às clínicas de desintoxicação de drogas onde parte das meninas tentava deixar o vício que as acorrentava à prostituição. E valeu a pena. Ao final da apuração, consegui descobrir muito mais do que eu imaginava: que as meninas tinham uma íntima ligação com o crack, uma droga que em 2002 ainda era pouco popular no país, e que seus corpos alimentavam a rede de tráfico da região. Vigiadas por traficantes, entregavam a eles os trocados que ganhavam. Com ajuda de conselheiros tutelares, encontrei a família de uma menina que andava com uma plaquinha, vendendo seu corpo por R$ 1,99. A essa altura, a liquidação se revelou mera consequência de uma degradação mais profunda: aos 19 anos, a jovem já tinha seis filhos – um de cada cliente diferente – e todos contaminados pelo HIV, como ela.

Durante os cinco dias da série, as oito adolescentes retratadas tiveram seus nomes trocados. No último dia, expunha-mos o único nome real: era Viviana, que morreu aos 15 anos. Assassinada. O corpo foi encontrado em um matagal, somente com sutiã, apresentando sinais de espancamento a pauladas. Com o encadeamento das histórias, a série revelou que os corpos à mostra escondiam uma realidade bem mais complexa – que começava pela violência doméstica que as empurrava para fora de casa, passava pela dependência química e ameaçava suas próprias vidas.

Como minhas pernas tremiam, não consegui pensar nisso tudo enquanto me dirigia para receber o prêmio, mas nas horas e horas insones que passei tentando entender como eu havia vencido, cheguei a essa conclusão. Só pode ter sido esse desvelamento – alcançado com uma boa dose de obstinação – que os jurados reconheceram ao premiar a então estudante universitária. Um esforço para escancarar o que as pessoas viam – sem enxergar – entre as esquinas. No caminho até o palco, só consegui articular uma frase e falar ao microfone: “Acredito que o jornalismo tem uma função social muito importante, e estou muito feliz de ter contribuído com a minha reportagem.” Pensando bem, acho que ainda repetiria essa mesma frase hoje, quase oito anos depois.

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Agora chegou a hora da perguntinha cretina: e você, já sabe o que fará para revelar a sua cidade e o seu talento?

*Letícia Duarte (@leticiaduarte), 29 anos, repórter da editoria de Geral de Zero Hora, conquistou o prêmios como o Esso de Jornalismo (2002), o Prêmio Iberoamericano pelos Direitos da Infância e da Adolescência da Unicef (2005) e o Embratel (2007), além de integrar o livro 45 Reportagens que Fizeram História, publicado por Zero Hora em 2008.

Confira outro post de Letícia Duarte.

Três cidades, três iniciativas

postado por Concurso CNN em 19 de abril de 2010

Garantir qualidade de vida à população é um desafio que qualquer administrador de uma cidade enfrenta.
É aí que a inovação aparece como um conceito fundamental.

A Conferência Internacional das Cidades Inovadoras, realizada no mês passado em Curitiba, é um exemplo de evento criado para fomentar projetos diferenciados das cidades.

Foram três dias (de 10 a 13 de março) de palestras e debates. Especialistas de todo o mundo mostraram que, apesar das diferenças geográficas, gestores enfrentam problemas bem parecidos.

O colombiano Ernesto Cortes, do jornal Jornal El Tiempo, marcou presença como representante da iniciativa “Bogotá, como vamos?”. Por meios de meios de comunicação como a internet, o projeto conta com a participação do cidadão nas políticas públicas. Acessando a rede, é possível conferir, no banco de dados, metas do governo e atualizações a respeito do alcance dessas metas.

Assim, os moradores da capital da Colômbia percebem que a cidade é resultado de uma construção coletiva e também do engajamento delas mesmas. Apontando e conferindo a solução de problemas de suas comunidades, elas se sentem mais participantes.

Rio, como vamos? e Outra São Paulo

A iniciativa colombiana serviu de modelo para que São Paulo e Rio também criassem projetos semelhantes. Nessas duas grandes metrópoles brasileiras, o objetivo das redes é recuperar os valores do desenvolvimento sustentável, da ética e da democracia participativa. As iniciativas “Rio, como vamos?” e “Outra São Paulo” têm o objetivo de resgatar a participação da população na resolução de problemas em áreas essenciais como Educação, Meio Ambiente, Segurança, Lazer e Cultura, Trabalho, Transporte, Moradia, Saúde e Serviços.

No Brasil, o crescimento de sociedades organizadas nesse sentido é eminente. Isso pode ser considerado vantagem, já que são muitos pessoas independentes que se organizam em separado mas geram mais resultados por benefícios em comum.

Segundo Ernesto, na Colômbia existem apenas 3 organizações como a “Bogotá, como vamos?”. Já em São Paulo, são 300. Sendo assim, aqui no Brasil são mais pessoas gerando debates e avanços sociais.

Fonte: http://www.cici2010.org.br/

Jornalismo. Profissão de alto risco…

postado por Concurso CNN em 16 de abril de 2010

*Do jurado Heitor Reali

Para os outros. É isso mesmo. Não estou falando de profissões perigosas, como bombeiros, policiais, mergulhadores e tantas outras. Para estas, na qual se conhece o risco, me atrevo a dizer que o risco fica menor. Refiro-me àquelas que, a partir de um diagnóstico errado, joga você no beleléu ou daquela outra em que uma sentença mal interpretada leva um inocente para a cucuia. E a de maior risco: o jornalismo. Uma informação incorreta, parcial ou dita com incompetência, pode contribuir para o caos, o pânico, gerar intrigas. Pense bem. Até uma simples resenha, crítica de cinema ou teatro, comentário esportivo, ou mesmo a indicação de um lugar turístico mal elaborada, ou que não carrega a verdade, traz prejuízo de todo o tipo.

Ao jornalista de vocação a base está na busca da verdade. Nada lhe parece; ele define, apura as informações e explica. Ele não “acha”, informa. Pode até se posicionar, mas para isso precisa ter conhecimento. Tem o dever de pesquisar e estudar o assunto. Vou até falar um palavrão: perscrutar. Só vale escrever sobre o que se sabe, viu ou sentiu. É necessário viver para narrar. Podem falar o diabo, mas o new journalism não existe nem mesmo para aqueles a quem imputaram sua origem, os americanos Gay Talese e Lilian Ross. E pior: está virando modinha e gerando equívocos. Descarte. A diferença é que Ross e Talese grudaram no assunto e puderam fazer reportagens preciosas, com tal gama de informações que as fazem beirar a ficção. Mas ainda continua prevalecendo a expressão da realidade sobre a imaginação de quem escreveu. Esta deve estar voltada para a forma do que se diz. Deixe de lado outro clichê que está virando praxe nas reportagens, quando pouco apuradas, e que se encaixa na última frase de um filme de John Ford (“O Homem que Matou o Facínora”): quando a lenda tornou-se fato, publique a lenda. Fique esperto.

Não subjugue nunca a inteligência do leitor, do espectador. Esta regra é fundamental para uma boa reportagem. Vejo o jornalismo pela graça e criatividade no olho arguto do repórter, expressas com inteligência e alavancadas pela ética. Com boa dose de imparcialidade. Não seja “torcedor” de nada e de ninguém, pois a palavra é poderosa. Carlos Alberto di Franco escreveu: “não se fazem matérias direito porque a reportagem se tornou tática demais, confiando em emails, telefones e internet. Não é mais cara a cara”. No bastidor, uma das causas é o borderô apertado de revistas e jornais, e é caro sair à na rua, à cata de boas informações.

Pense duas vezes. Tem certeza de que quer ser jornalista? Não dou conselhos, mas posso dar sugestões que me serviram em minha carreira. Os primeiros passos de um repórter se dão pela leitura. Os textos inspiram. Procure ler o assunto que o interessa, mas dê uma olhada nos livros de George Orwell e Italo Calvino. Mas não deixe de ler “A Honra Perdida de Katarina Blum”, de Heinrich Boll. Assista a “A Embriaguez do Sucesso”, obra-prima de Alexander Mackendrick, que pode ser considerada o melhor filme sobre imprensa de todos os tempos. Outro que precisa ser visto é “A Montanha dos Sete Abutres”, de Billy Wilder. Isso sem contar os documentários produzidos pela jornalista Neide Duarte para a TV Cultura. Preste atenção em um deles: “Quase o Peso de um Passarinho”. Como exemplo de bom jornalismo também elejo o “Profissão Repórter”. E é claro que há muitos outros. Você vai descobrindo. Por fim: veja a beleza que brota até no que é mais árido, e não se limite apenas a registrar a tragédia dos excluídos ou de quem quer que seja. Mas não se esqueça: a linha divisória é escorregadia. Por isso, esta profissão maravilhosa é também a de maior risco.

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* Há quinze anos, Heitor trocou a engenhosidade pela criatividade do jornalismo. Compõe a equipe de revistas como Brasileiros, Almanaque Brasil, Planeta, Bons Fluidos, Continental Multicultural, entre outras, também edita cartilhas ambientais. Este ano, ele é um dos jurados do Concurso Universitário de Jornalismo CNN.

Rede de Cidades interagem na web

postado por Concurso CNN em 14 de abril de 2010

A participação do cidadão na resolução dos problemas internos dos seus municípios marca presença também nas redes sociais. Com a intenção de reunir mais pessoas focadas neste mesmo objetivo, foram criadas redes de interação virtual para aproximar a sociedade de seus governos.

Uma das pioneiras no Brasil é a Rede Social Brasileira por Cidades, existente no Ning. Os internautas trocam ideias e iniciativas visando ao desenvolvimento justo e sustentável de suas cidades. Lançada em 2008, na cidade de Belo Horizonte, a rede é composta por organizações apartidárias de diversas cidades do Brasil e está aberta a novas adesões.

O principal objetivo é trocar informações e conhecimentos entre os integrantes para promover o aprendizado mútuo, o apoio e o fortalecimento de cada experiência local.

Um dos diferenciais é que a rede não tem dirigentes, são apenas pessoas encarregadas e escolhidas de comum acordo para realizar determinadas atividades e articular a tomada de decisões, sempre em consenso.

Para conhecer a inicitiva acesse: http://rededecidades.ning.com/

Por Clara Vanali*

Há algumas decisões que mudam para sempre o rumo de nossas vidas. Alguns chamam isso de efeito borboleta, outros de destino e os mais descrentes de simples acasos. Em 2008, recebi o anúncio do Concurso Universitário de Jornalismo CNN na minha caixa de e-mail. Estava no último ano de faculdade, preocupada e ocupada com o TCC (Trabalho de Graduação Interdisciplinar) que deveria entregar no final daquele ano. No entanto, ao ver que o tema do concurso era socialização através da arte, lembrei-me rapidamente de um projeto que um amigo tinha comentado comigo há um tempo, em que pessoas construíam instrumentos de maracatu e aprendiam a tocá-los depois.

Decidi ir até o local, uma escola pública, onde acontecia o tal projeto. Cheguei sem câmera, sem papel ou caneta. Apenas curiosa. Sentei-me na arquibancada da quadra e esperei até a apresentação começar. Um som forte saiu do tambor, tornou-se harmônico e se repetiu ainda melhor pelas mãos de centenas de pessoas que tocavam juntas. Eu nunca assistira a algo tão marcante em toda a minha vida. Percebi ali algo tão verdadeiro que de alguma forma eu tinha que contar aquela história para as pessoas, para o mundo. As incertezas sempre vão nos questionar, mas uma lição que aprendi naquele dia é que quando sentimos algo diferente e muito intenso, significa que temos que agir. Voltei dias depois com uma equipe, registrei tudo com uma câmera e o resto da história vocês já conhecem.

O Concurso de Jornalismo Universitário CNN me fez melhor. Participar me fez acreditar ainda mais no jornalismo que eu sempre quis fazer. Mais do que um trabalho, ele é hoje minha vida e para onde eu direciono o meu tempo e as minhas energias. Profissionalmente, a vitória abriu oportunidades de emprego e de envolvimento em projetos jornalísticos que me ensinaram a conhecer ainda mais o nosso mundo de gerador de conteúdo, de debate e aprendizado. Conheci a sede internacional da emissora e estabeleci contatos que mantenho até hoje e pretendo levar por todo o meu caminho. O prêmio me ajudou a ser aprovada no Curso Abril de Jornalismo e me possibilitou uma vaga de repórter na Editora Abril, em São Paulo, onde trabalho hoje com a intenção de conhecer e divulgar histórias ainda mais marcantes como aquela do maracatu.

Um concurso como esse, destinado aos estudantes, faz com que esses sintam ainda mais preparados e com vontade de seguir a profissão que torna público tudo o que o que uma sociedade precisa saber para se transformar todos os dias. Este ano, o tema “Minha Cidade, Minha Vida, Uma Atitude” permite uma experiência ilimitada para os participantes, que podem navegar por assuntos como sustentabilidade, sociabilização, educação, cidadania e tantos outros. É hora de abrir os olhos, de prestar atenção em atitudes que saem do senso comum, que engajam projetos e pessoas em torno de uma mesma intenção: fazer da cidade uma lugar melhor para se viver. Essas ações estão a sua espera para que você, jornalista, as divulgue pelo mundo. Não há outros compromissos que o impeçam de fazer, só depende da sua vontade. Procure novidades e lembre-se de que quando sentir aquele algo a mais, registre. Pegue a câmera e siga em frente. Você já estará participando.

*Clara Vanali, vencedora do Concurso Universitário da CNN de 2008, é jornalista da Editora Abril, em São Paulo, e escreve crônicas em seu blog (www.claravanali.com.br).

Clique e confira a reportagem vencedora de Clara.

Fórum Urbano Mundial de olho na melhoria das cidades

postado por Concurso CNN em 12 de abril de 2010

Mesmo depois do Fórum Urbano Mundial no final de março,  as ideias de melhoria emergentes para as cidades marcaram a história do evento que está na sua quinta edição.  Ocorrido este ano no Rio de Janeiro, o Fórum terminou com uma lista de recomendações por uma urbanização mais sustentável e por mais inclusão. O texto da ONU-Habitat, organizadora do evento, ressaltou que “não é possível continuar fazendo negócios como até agora”, já que o atual modelo produziu “níveis inaceitáveis de exclusão social”.

O documento apresentado destacou a necessidade de tornar as cidades do planeta lugares mais justos, participativos e integrados.

“Necessitamos de um esforço global para mudar as coisas.” – diz diretora da ONU-Habitat

No evento com o tema “O Direito à Cidade: Unindo o Urbano Dividido”, os participantes levantaram atos que consideram excluidores nas grandes cidades. Por exemplo, os despejos forçados de inquilinos, os sem-teto e a grande percentagem de pessoas que vivem na miséria nas cidades são alguns.

Segundo números da própria ONU, cerca de 827 milhões de pessoas vivem em favelas nas cidades de todo o mundo. Relacionado a isso, o texto destaca que “deve-se trabalhar com os pobres, não para eles”, por isso o fórum propôs a inclusão dos desfavorecidos e dos movimentos sociais no planejamento das políticas urbanas.

Este relatório com as recomendações será apresentado no próximo ano ao conselho diretor da ONU-Habitat, uma organização ministerial que pode influir na elaboração de propostas políticas na área urbana, segundo explicou a diretora da agência, Anna Tibaijuka, no ato de encerramento do fórum.

Diante de uma plateia de representantes de Governos e autoridades do mundiais, Anna Tibaijuka destacou: “Com líderes envolvidos, a solução não pode estar muito longe. Necessitamos de um esforço global para mudar as coisas. Devemos lutar contra as favelas e não contra seus moradores. Devemos combater a pobreza e não os pobres”, sentenciou Anna.

Próximas iniciativas

A próxima edição do Fórum deve ser realizada na capital de Barein, Manama, em 2012.

Essa cúpula será o ato central da “Iniciativa 100 Cidades” , um novo projeto da ONU-Habitat lançado hoje que pretende aglutinar as autoridades, membros da sociedade civil e representantes do setor privado para debater o estado das cidades de todo o planeta.

Fonte: http://wuf5.cidades.gov.br/

De profissional a estagiária da CNN

postado por Concurso CNN em 9 de abril de 2010

Por Marlise Brenol*

Dia 11 de setembro de 2001 foi um dia marcante na minha vida de jornalista recém-formada. Estava em casa ouvindo rádio quando a notícia do ataque às torres gêmeas do World Trade Center em Nova York foi disparada. Atônita, liguei a televisão para comprovar com meus próprios olhos aquilo que a narração da rádio tentava me descrever. Entre uma entrevista e uma narração, a CNN Internacional reprisava a imagem das torres sendo atingidas por aviões como dois pinos de boliche derrubados por uma bola. Naquele instante entendi por que a maior rede de notícias dos Estados Unidos é a Meca do jornalismo.

É para lá que jornalistas e espectadores recorrem quando fatos internacionais se impõem porque a empresa é uma referência em transmissão ao vivo, produção de conteúdo em vídeo e inovação em jornalismo. Um ano e dois meses depois deste episódio, eu ganhei a minha chance de peregrinar à sede da CNN em Atlanta. Assim como os muçulmanos devem ir pelo menos uma vez na vida à cidade sagrada na Arábia Saudita, acredito que jornalistas devem ter como meta conhecer uma grande rede de televisão como a CNN.

Quatro anos depois de formada, deixei o trabalho de repórter de televisão em um canal da região sul do Brasil e retrocedi ao cargo de estagiária, mas com muita honra e alegria. O Canal Futura e a Turner Broadcast tinham uma parceria para cedência de conteúdos. Eu trabalhei como intermediária entre as pautas de programas como Jornal Futura e Sala de Notícias e os arquivos de vídeos de Atlanta. Perdi a conta de quantas reportagens do médico-repórter Sanjay Gupta eu selecionei e enviei ao Brasil. Saúde era um assunto muito abordado no Futura.

Como o trabalho era simples e não muito volumoso, me interessei por atividades “turísticas” no CNN Center. Um tipo de viagem que só quem é apaixonado por jornalismo teria prazer em fazer. O prédio da CNN é gigante, dividido entre Torre Norte e Torre Sul. Na Sul ficavam CNN Internacional, CNN en Espanhol, TNT, TBS, CnnRadios, HBOSports, a administração e muito mais. Na Torre Norte, CNN Headlines, CNN USA, cnn.com, Cnn Airport Network, CNN Fn, Turner Learning entre outros. Com meu crachá de funcionária, tinha passe livre para todo esse paraíso jornalístico.

Integrei um programa chamado Shadow, em que os novatos na empresa têm a chance de acompanhar um dia dos profissionais. Uma das pessoas que mais me marcou pela simpatia e pelo trabalho foi a âncora da CNN em espanhol, Glenda Umana. Com ela participei de um turno de trabalho: reuniões de pauta, espelho de notícias, elaboração de notas. E assisti de camarote às entradas ao vivo de hora em hora.

Outro dia fui apresentada ao setor Feeds, algo como central de vídeos que recebe geração de material das sucursais. De cara me colocaram para monitorar matérias de Nova York. Era receber, digitalizar e salvar no diretório público para todos os colegas terem acesso. O mais difícil foi avisar para toda a redação da CNN Doméstica (editoria nacional) que as imagens brutas estavam na mão, porque eu precisei pegar o microfone e descrever. Não lembro sobre o que era o material, mas não esqueço a adrenalina que senti segundos antes de apertar aquele botão e falar. Eu também não perdia nenhum dos programas de auditório que aconteciam no térreo do prédio. Até porque minha chefe americana sempre me escalava a pedido da produção dos programas que precisavam preencher as cadeiras.

Minha experiência durou seis meses e foi uma época da minha vida em que tudo era motivo para descobertas e encantamentos. Hoje, sete anos depois, enxergo o quanto a ida à Meca do jornalismo me fez encontrar uma resposta definitiva às minhas dúvidas quanto ao futuro. Por que eu quero ser jornalista? Porque venero essa religião.

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Marlise Brenol* é jornalista e mestre em Comunicação e Informação. Trabalhou em televisão, assessoria de imprensa e hoje é editora do site de Zero Hora, jornal do grupo RBS no Rio Grande do Sul.

Um recado do editor sênior da CNN para América Latina

postado por Concurso CNN em 7 de abril de 2010

No Brasil para o lançamento da edição 2010 do Concurso Universitário de Jornalismo CNN, o editor sênior para a América Latina da CNN WorldWide gravou com exclusividade para o blog do concurso um recado para quem está pensando em participar.

Em seu discurso, o mexicano Rafael Romo lembrou que, no início de sua vida profissional no Arizona, participou de um concurso de jornalismo parecido. “Foi uma grande oportunidade”, disse.

Confira os 3 conselhos de Romo para você:


A cidade, as pautas e o repórter: treine seu olhar

postado por Concurso CNN em 6 de abril de 2010

Por *Letícia Duarte

Temos um colega na redação de Zero Hora que é considerado uma lenda. Não só porque ele é um dos repórteres mais premiados do Sul do Brasil, com mais de 30 prêmios de Jornalismo, ou porque usa suspensórios – embora essas duas características deem uma boa amostra da personalidade única de Carlos Wagner. Mas também porque, do alto de suas quase três décadas de jornalismo, ele continua sendo um dos repórteres mais entusiasmados pela profissão que já empunhou um bloco – tanto que, enquanto a maioria dos jovens colegas chega esfregando os olhos de manhã, a lenda de cabelos brancos costuma avançar pela Editoria de Geral com sua inseparável mateira** a tiracolo antes das 8h e gritar bem alto: “ah, como eu amo esta m…”(piii)!

Lembrei dele quando soube do tema deste ano do concurso universitáro CNN: Minha Cidade, Minha Vida, uma Atitude, já que é do Wagner uma das melhores frases que já ouvi a respeito dessa relação umbilical do jornalismo com o seu entorno – a rua, a cidade, o Estado.

- Jornalista, as faculdades formam. Repórter, tu te formas na estrada – ensina.

Nesta época em que o jornalismo está cada vez mais instantâneo e asséptico, telefônico e internético, um dos maiores riscos que nossa profissão corre é justamente tirar o pé da rua. É perfeitamente possível apurar uma matéria inteira por telefone, pesquisar no Google informações complementares, entrevistar dois ou três especialistas no assunto e fechar a pauta sem dramas. Só que o perfeitamente possível quase nunca é o suficiente – e o suficiente quase sempre beira a mediocridade. A alma da reportagem não pode ser apreendida pela linha telefônica. Ela vive no Olho da Rua, como bem define o título do indispensável livro de Eliane Brum – outro exemplo de devoção à reportagem e uma das juradas deste concurso (se você ainda não leu o livro, se mexe!).

E, para quem deseja realmente cruzar a linha que define um repórter, é preciso é aprender a treinar o olhar. As pautas estão à espreita em todos os cantos, mas para enxergá-las é preciso desvelar o óbvio – tomar aquela atitude a que o tema deste concurso se refere. A grande matéria pode estar naquele menino que dorme na rua da sua casa, naquela gente que madruga na fila dos postos de saúde, na sofreguidão dos congestionamentos do trânsito, dentro de uma sala de aula. Repórteres são contadores de histórias. É preciso ter sensibilidade para encontrá-las. E para contá-las de um jeito que ninguém fez. É o que a gente chama de “sacada”. Como transformar um problema social em uma pauta? É necessário pensar uma forma diferente de abordá-lo, de uma maneira que se torne útil à sociedade. Que revele além do que todo mundo vê.

Um bom começo é aguçar o olhar ao andar pelas ruas. Observe aqueles personagens anônimos que circulam no seu entorno – pessoas são labirintos, por trás delas sempre há histórias a desvendar. Fique atento a movimentações estranhas. Desconfie de tudo e de todos, sempre. Questione discursos prontos, quem fala bonito demais ou promete mágicas geralmente tem algo a esconder. Troque seu caminho rotineiro de vez em quando, ande por ruas diferentes, ou tente buscar ângulos inusitados ao transitar pelos lugares conhecidos. Troque o carro pelo ônibus ou pelo metrô alguns dias da semana. Sinta a energia que pulsa das esquinas. Converse com pessoas que não fazem parte do seu círculo social. Um desconhecido pode revelar uma história surpreendente, ou dar a pista para você chegar até ela. Aprenda a escutar as lições das ruas, em vez de tentar enquadar os fatos em pré-conceitos.

Não existem fórmulas prontas, só perspicácia, sensibilidade e inquietude. A única certeza é que, para descobrir a cidade, é preciso sujar os pés no barro. Encharcar-se de realidade. E assim um repórter vai nascendo: gestado pelos temas que se propõe a confrontar. A cada nova reportagem, um novo parto.

* Letícia Duarte (@leticiaduarte), 29 anos, repórter da editoria de Geral de Zero Hora, conquistou o prêmios como o Esso de Jornalismo (2002), o Prêmio Iberoamericano pelos Direitos da Infância e da Adolescência da Unicef (2005) e o Embratel (2007), além de integrar o livro 45 Reportagens que Fizeram História, publicado por Zero Hora em 2008.

**pra quem não sabe o que é mateira, é aquela espécie de bolsa para carregar a cuia de chimarrão, o mate e a garrafa térmica, popular no Rio Grande do Sul.