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Mensagem aos novos jornalistas

postado por Ana Paula Padrão em 21 de maio de 2010

Outro dia um amigo me deixou numa, como se diz por aí, numa saia justa. Ele me pediu que transmitisse à sua filha, recém-formada em jornalismo, uma mensagem de otimismo e fé na profissão. Segundo meu amigo, a jovem andava meio desiludida com os rumos dos veículos de imprensa no Brasil e meio descrente na efetiva função social que ela imaginava ser o guia dos jornalistas.

Durante alguns dias pensei no assunto. Não poderia dizer à minha jovem colega que estava de todo errada. Mas também não poderia incentivá-la a mudar sua escolha enquanto é tempo. Nenhuma das alternativas combina comigo – logo eu, tão apaixonada pela profissão, tão jornalista por vocação. Embora, confesso, ande eu também um tanto frustrada com os caminhos da mídia em geral.

Outra coisa que me incomoda é a excessiva glamurização da imprensa e dos jornalistas – um fenômeno tão recente quanto avassalador. Na maioria das salas de aula dos cursos de comunicação o que se vê são estudantes afoitos por um lugar ao sol da fama. Aquele romantismo que nos movia quando, na minha geração, escolhíamos ser jornalistas apenas para presenciar a história, anda bem fora de moda.

Então, o que dizer a um jovem jornalista, ainda mais num ano em que se dará uma das eleições mais polarizadas da história Brasileira – polarização que de certo vai se relfetir nas redações? O que dizer a um jovem jornalista que
de repente olha para o próprio diploma e percebe que este não lhe dá mais vantagem na competição por um emprego, dado que outros profissionais também podem ser jornalistas? Como explicar a ele que isso pode ser bom? Que dizer a um jornalista que vê os novos blogueiros e não reconhece mais o próprio papel como apurador e divulgador de notícias?

Por certo veículos de imprensa estão em crise. Mas, apesar de todo o cenário desolador que eu mesma narro acima, não consigo deixar de acreditar no jornalismo. Não consigo deixar de acreditar no jornalista. Olho para trás e vejo em mim mesma o profissional que nunca teve dúvida diante do que é básico na profissão. Vejo isso em muitos colegas. Talvez seja mais difícil começar nos dias de hoje. Mas ainda é possível ser jornalista. E quanto mais difícil uma missão, mais o verdadeiro jornalista costuma gostar dela.

Nova York: muitas atitudes para ser uma grande cidade

postado por Concurso CNN em 3 de maio de 2010

O crescimento econômico de Nova York tem relação direta com os investimentos em segurança. Esse fator foi fundamental para que o mercado imobiliário se expandisse às áreas que antes eram marginalizadas.

Há pouco mais de 20 anos, quase todas as regiões da cidade, que hoje é a mais populosa dos Estados Unidos, eram completamente diferentes. O então prefeito Rudolph Giuliani adotou na época a política da “tolerância zero”. Vândalos, bandidos e policiais corruptos não tinham mais espaço.

Foram feitos acordos entre o setor privado através do financiamento de projetos governamentais de infraestrutura. Em ação conjunta com governo, empresários aceitaram pagar mais impostos para garantir segurança e investimentos em infraestrutura. Isso recuperou a economia da cidade. Áreas degradadas e abandonadas passaram a ser valorizadas pelo mercado imobiliário.

Os empresários perceberam que, se a cidade tivesse mais segurança, se tornaria um lugar melhor para os negócios. A iniciativa privada passou a comprar imóveis em áreas degradadas e a promessa do governo era de reforma e melhora no acesso.

Outras alternativas existiram em bairros como o Dunble, no Brooklyn, que na década de 70 era o lugar mais violento de NY. Mas o que não mudaria jamais seria sua geografia. A localidade consiste numa das vistas mais bonitas de NY: à beira do Rio Hudson. Para que a mudança acontecesse, o governo oferecia de graça os imóveis a comerciantes e empresários. Trinta anos depois, badaladas galerias de arte, por exemplo, ocupam o bairro.

Outro exemplo é a rua Bowery, na Ilha de Manhattan. Há 10 anos era extremamente violenta e conhecida por seus inúmeros moradores de rua. Hoje, com investimentos em segurança e casas de apoio a essas pessoas, elas convivem em harmonia com os hóspedes de um hotel 5 estrelas ou com os clientes de uma grife chique.