Por Mariana Dourado (vencedora do Concurso CNN em 2006)
Todos os colegas vencedores que já escreveram neste blog foram muito felizes nos relatos de suas participações. Sem nos conhecermos, sentimos praticamente as mesmas emoções. A enorme surpresa da classificação, mesmo sem estar nos últimos anos da faculdade, nem vir de uma instituição ou cidade que seja referência na área. A emoção de competir com trabalhos tão bons, de ser escolhida por profissionais renomados. O sonho de uma viagem que possibilitou conhecer e conversar com profissionais de alto nível. O mágico aprendizado de dias em uma empresa mundialmente reconhecida que valeram por anos.
A injeção de ânimo para uma profissão que é tão desvalorizada no país, mas tão bela. A alegria de ver o orgulho de colegas, parentes, professores. O peso que o prêmio adicionou ao currículo e que encanta qualquer empregador. O brilho das amizades que se fizeram no processo. A enorme gratidão pela equipe que ajudou na confecção do trabalho: o professor orientador, o cinegrafista, o editor de imagens. Entretanto, mais do que tudo isso, sou eternamente grata por dois aprendizados que tirei dessa experiência:
1) O objetivo primeiro do jornalista deve ser ajudar as pessoas, produzindo matérias de interesse público, de transformação social. Ao contar que a matéria seria passada na CNN, não tive alegria maior do que ver a Prof. Zena e suas alunas emocionadas pela divulgação de seus esforços. A simples visibilidade pode ajudar a professora a conseguir mais alunos, mais recursos ou incentivar outros professores. Não há prêmio melhor que isso.
2) Todas as nossas ações são exemplos para aqueles que nos rodeiam, portanto façamos boas escolhas. “Resolvi estudar por sua causa”. Essa foi a frase mais impressionante, bonita e gratificante que eu ouvi em toda a minha vida. Ela veio da boca de uma estudante que hoje é uma grande amiga. Alguns meses depois de nos conhecer, ela me contou que tinha mudado de curso e que estava estudando com afinco, pois, ao saber da minha história, resolveu ir também atrás do sonho dela.
No ano em que me inscrevi, fui a única da universidade que participou do concurso. Hoje, anualmente vários participam. Saber que “a semente foi plantada” e que existem alunos se esforçando também para serem bons profissionais é extremamente gratificante. E eu nunca teria imaginado tudo isso ao produzir a matéria. Eu sequer ousava sonhar com o primeiro lugar. Até hoje olho as fotos e penso que deve ter sido um sonho. Mas foi um sonho bom! Um ato tão simples, fazer e enviar, que mudou muita coisa. Portanto, estudante, não hesite! Você só tem a ganhar.
Eu produzi o vídeo com equipamento emprestado pela universidade. Pedi ajuda a professores e colegas para me darem dicas de como produzir. Gastei uma tarde inteira pra gravar o material. Cortar as duas horas de gravação bruta em dois minutos foi uma dureza só! A primeira edição tinha seis minutos… A música de fundo foi fácil escolher, faz parte de uma das minhas trilhas sonoras preferidas. O processo todo foi de duas semanas.
A notícia da classificação e a viagem foram um sonho de muito aprendizado. Na volta, amigos me esperavam no aeroporto, com balões de festa e muitas entrevistas – rádios, TVs, jornais. Cheguei a ministrar uma palestra na faculdade sobre o concurso. A viagem também rendeu um belo parágrafo na minha monografia, cujo tema nasceu de uma conversa com o pessoal do CNN.com. Esse mesmo tema – o jornalismo participativo – continua fazendo parte da minha vida. Depois que me formei, larguei meu emprego em telejornalismo e iniciei um mestrado em Comunicação. Quando terminar, pretendo dar aulas na graduação e também voltar a trabalhar com telejornalismo. Mas se isso ainda é indefinido, uma coisa eu tenho certeza: seja na sala de aula, numa redação ou nos dois, a experiência do concurso me transformou e vai me acompanhar pro resto da vida.