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Conheça os finalistas do Concurso CNN 2010

postado por Concurso CNN em 29 de julho de 2010

Estamos próximos do encerramento do Concurso CNN deste ano e é chegada a hora de anunciar os dez finalistas. Foram meses de planejamento, troca de informações, recados de grandes jornalistas, sugestões de pauta e dicas técnicas. Tudo para escolher as melhores matérias, aquelas que mais fizeram jus ao tema dessa edição, “Minha Cidade, Minha Vida, Uma Atitude”.

A premiação será no dia 11 de agosto. Veja aqui os indicados.

Das partes ao todo – como fiz a videorreportagem que venceu em 2009

postado por Concurso CNN em 14 de julho de 2010

Por Marcos César, vencedo do Concurso CNN no ano passado

O segredo do telejornalismo é combinar imagens significativas com textos informativos e entrevistas que permitem uma interação com o aspecto humano das notícias. Deste modo, a realização de uma boa reportagem envolve reunir e conectar boas imagens, com um bom texto e boas sonoras.

Para fazer uma boa video-reportagem é preciso determinar o que o público deve saber, pois a reportagem só pode tratar, superficialmente, de um núcleo de informação. Não devemos repetir informações que já sejam de conhecimento do público porque isto seria enfadonho para o telespectador. Por último, deve-se trabalhar a subjetividade humana, buscando envolver emocionalmente o público com o assunto em questão. As imagens devem sugestionar o subconsciente – despertando emoções – e os relatos das pessoas devem mostrar a dimensão humana do fato. Desta forma, é possível levar o telespectador a uma interação mais intensa com o conteúdo jornalístico abordado.

Na matéria “Revolução no processo de Juta e Malva”, selecionei como questão mais importante a saúde dos trabalhadores. O público deveria saber que há uma atividade agrícola insalubre que mudaria graças a uma tecnologia que preserva a saúde dos trabalhadores. Expliquei apenas aquilo que o público não sabia sobre a cultura de juta/malva e selecionei imagens que mostrassem claramente o sofrimento do agricultor. As sonoras valorizaram os sentimentos das pessoas. Desde o relato do sofrido agricultor de juta, passando pela satisfação do inventor e chegando a alegria do agricultor com a máquina que torna seu trabalho menos sofrido. Assim, construí o painel de informação/emoção que havia planejado.

O olhar que é só seu

postado por Concurso CNN em 9 de julho de 2010

Por Eliane Brum*

Nossa grande busca na reportagem, assim como na vida, é nos tornarmos cada vez mais aquilo que somos. Esta é a busca que nunca acaba, a busca de uma vida inteira. Olhar para dentro e perseguir nosso jeito singular de enxergar o mundo exige coragem, porque é mais fácil imitar e repetir – do que questionar e tentar. Quem tenta, sempre se arrisca a errar – e vai errar, cedo ou tarde. Mas sempre acreditei que é melhor cometer nossos próprios erros do que o acerto dos outros.

Aprendemos com quem fez e faz, com profundo respeito e humildade, mas é necessário encontrar a nossa expressão no mundo, a nossa contribuição única e intransferível. O concurso da CNN é uma oportunidade para este exercício, o exercício de olhar para ver – o exercício do seu olhar. Nele, tão importante quanto a escolha da história que você vai contar é como vai contar essa história. Porque uma história só se torna uma história quando você, que a conta, está encarnado nela, ainda que pela delicadeza.

Acredito que nosso olhar, quando verdadeiro, transforma o mundo para melhor. Transforma porque quando exercemos nosso olhar com verdade, fúria e delicadeza, ele revela aquilo que estava ali, diante de todos, mas ninguém tinha visto daquele jeito, por aquele ângulo, com aquela soma de nuances.

Ao contrário de alguns colegas, de alguns professores e de alguns estudantes do curso de jornalismo, acho que vivemos um grande momento para a reportagem, grávido de possibilidades. Não acho que exercer a profissão hoje seja mais fácil ou mais difícil que em outros momentos históricos. É diferente, apenas. Cada época contém seus desafios e suas idiossincrasias. (Convém lembrar que era bem mais arriscado exercer a profissão com verdade na época da ditadura militar, como a memória de Vladimir Herzog nos prova. Assim como deve ser bem mais complicado ser repórter hoje no Irã do que no Brasil, por exemplo.)

Repórter tem de saber que a vida não é fácil – nunca foi – e que seu espaço tem de ser conquistado – e não ganho – com competência, caráter e trabalho duro. A reportagem exige coragem de cada um de nós. É o preço pela honra de entrar na casa das pessoas e contar suas histórias, pelo privilégio de sermos testemunhas do nosso tempo. Quando a gente está estreando nessa vida, é preciso resistir aos muitos que dizem que não vale a pena seguir em frente. Poucas coisas são mais tristes que desistir antes da vida.

A novidade de nossa época é a internet. E acredito que a internet trouxe muitas possibilidades para quem ama a reportagem. Cada vez mais a notícia de última hora, a corrida pela informação instantânea, é da internet. Tudo que se limita ao anúncio de um fato envelhece em segundos. Nossa atuação como repórteres, seja de meio impresso, TV, rádio ou mesmo de outros espaços da internet, vai exigir aquilo que é – e sempre foi – a definição da boa reportagem: riqueza de detalhes, rigor e precisão da apuração, capacidade de análise e reflexão, profundidade e contexto, nuances, muitas nuances, assim como a habilidade de navegar na zona cinzenta que é o território do jornalismo.

E personalidade. Me parece que cada vez mais a diferença se dará na forma como contamos o que contamos. Só fará diferença quem conseguir revelar aquilo que já é de cada um, mas que desvelar exige muito trabalho, esforço e conhecimento (do mundo e de si mesmo): o olhar singular. Aquele que, se você deixar de exercitar, fará falta. Este é, ao mesmo tempo, o desafio e a oportunidade desse concurso.

Estou ansiosa para conhecer as histórias que vocês vão contar – do jeito que só vocês podem contar. Até lá, boa sorte na melhor profissão do mundo!

*Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem.

Como achar aquele personagem que você procura

postado por Concurso CNN em 7 de julho de 2010

Por Clarissa Barreto*


Não existe reportagem sem pessoas, sejam elas uma grávida que espera o primeiro filho, alguém que investe na caderneta de poupança, um marido que troca a mulher pelo futebol durante a Copa do Mundo.

E se o personagem necessário for um “idoso que curte a Lady Gaga” – um pedido real? Ou pior: se em vez de um personagem, você precisa mesmo é falar com um político ou dirigente de uma grande empresa e não tem o telefone dele?

Para – quase – tudo há um jeito a dar. Confira algumas ideias:

- Busque em seu próprio arquivo. Não apague os releases que receber, mesmo os que pareçam estapafúrdios. Arquive todos em uma conta de e-mail gratuita, como o Gmail. Mande os telefones e e-mails que for conseguindo amealhar ao longo do tempo para este e-mail, com palavras-chave. Assim, no dia em que precisar, será bem fácil encontrá-los em uma busca simples.

- Espalhe seu pedido pela internet. Mande e-mails para amigos e assessores de imprensa, não se envergonhe do seu spam – neste caso, quanto mais pessoas souberem do que você precisa, maiores as chances de conseguir. No Twitter, há o perfil @ajudeumreporter, que leva seu drama a 4 mil timelines diferentes, cujos perfis podem retuitar, sucessivamente… As possibilidades são infinitas. Também dá para deixar pedidos em comunidades no Orkut e grupos no Facebook que sejam relacionados à pauta – precisa de alguém que morou na Austrália? Algo me diz que você pode encontrar seu personagem na comunidade “Eu já morei na Austrália”.

- Porém, nem só de internet vive o repórter. Procure lugares relacionados com a sua pauta. Há poucos dias, um colega precisava de um personagem bem específico: uma família que ganhasse pouco e estivesse bem endividada. Parecia fácil. Ele mandou um mail para amigos e conhecidos, que não indicaram ou não conheciam – pouca gente admite estar endividada ou quer indicar alguém nesta situação. A reportagem – para um jornal diário – era para o mesmo dia, e o tempo estava passando. Sugeri uma visitinha ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Quem vai lá, certamente está endividado. Além disso, uma conversa olho no olho normalmente rende uma história melhor, quebra o gelo e torna a entrevista mais interessante. Funcionou para ele.

- Seu personagem não é um personagem qualquer. É uma fonte com F maiúsculo: o presidente de uma grande empresa, dirigente de entidade, um político que não está em campanha (se estivesse, aí seria bem fácil). Como achar esta gente? Você já tentou os meios ortodoxos – assessoria de imprensa, o marketing, a secretária e – claro – e-mail e twitter para seus amigos jornalistas, mas nada feito. A primeira ideia é cercá-lo via fontes próximas, um dos diretores, um outro deputado do mesmo partido. Se não funcionar, a dica é tentar a boa e velha lista telefônica. Há uma chance de o nome dele estar lá, com o telefone residencial. Se ele for um espertinho, o telefone está, mas o nome dele não – o número pode estar em nome da mulher, de um filho ou coisa parecida. Se ele tiver um sobrenome diferente, vale fazer uma busca só por ele – aparecerão apenas parentes, que podem ingenuamente indicar o contato. Há também a hipótese de se plantar na frente da residência ou da empresa e esperar. Mas é uma possibilidade arriscada, que pode não dar em nada – ou dar na delegacia.

Veja os depoimentos de dois jornalistas que convivem diariamente com a busca de personagens e como eles preferem trabalhar.

“Adoro catar personagem na rua. Exceto em casos muito específicos, acho muito melhor do que ficar buscando dicas de amigos ou por telefone. Assim, se preciso de alguém para mostrar que a classe C está comprando mais eletrodomésticos, me mando para a casas Bahia, Colombo ou outra loja que me franquear acesso. Se nenhuma liberar, fico na rua, no centro da cidade, em frente aos shoppings. É preciso trabalhar o sorriso na aproximação, escancarar o crachá, porque hoje as pessoas sempre acha que é um golpe, mas, mesmo assim, dá uma certa adrenalina e uma sensação de que a gente ‘realmente está trabalhando, lutando para obter a história’”.

Sebastião Ribeiro, jornalista free-lancer, sócio da Cartola – Agência de Conteúdo.

“Coisa que eu odeio é achar personagens com um perfil definido. Mas em 2004, na Coreia do Sul, eu tinha uma tarefa dessas e estava tranquilo porque achei que seria muito fácil: encontrar um jovem que usasse celular pra saber o que ele fazia com o telefone – na época, celulares cheios de funções eram comuns por lá e os nossos estavam anos atrasados. Fui num shopping em Seul crente que teria a minha história logo, e comecei a abordar adolescentes em inglês. Para meu pavor, ninguém falava o suficiente para desenvolver qualquer ideia. Enquanto o conceito de que na Coreia todo mundo fala inglês evaporava, eu ia ficando sem alternativas. Faltando meia hora, três guris de uns 12 ou 13 anos, uniformizados e com cadernos de escola, vieram falar comigo, em um inglês muito bom:
- Posso falar inglês com o senhor? – perguntou um deles.
- Vocês têm celular? – perguntei de volta.
Tinham recebido como tema de casa ir para a rua e falar inglês com alguém. Como tinham celular, eu tive minha entrevista. E até hoje adoro o sistema educacional coreano.”

Rodrigo Muzell, repórter do jornal Zero Hora.

Você também deve ter seus truques ou histórias. Divida com a gente.

*Jornalista free-lancer, colabora com as revistas Superinteressante, Piauí, jornal O Globo, portal UOL. É sócia da Cartola – Agência de Conteúdo (http://www.cartolaconteudo.com.br/).

Como elevar a auto-estima de uma comunidade: caso de sucesso

postado por Concurso CNN em 1 de julho de 2010

Comunidades carentes sofrem de diversos problemas, como falta de infra-estrutura, violência e doenças. Mas algo que não se fala muito é na baixa auto-estima que essas comunidades carregam. E quando surgem iniciativas que trazem orgulho para quem mora nos locais afetados, temos mesmo é que divulgar e louvar essas atitudes. Ande pela sua cidade e descubra o que está sendo feito para levar dignidade a quem mais precisa. Sua pauta pode estar aí!

Favelas cariocas são pintadas com ajuda dos próprios moradores

Um projeto capitaneado pelo duo de artistas holandeses Haas&Hahn e chamado Favela Painting está mudando a cara de morros no Rio de Janeiro. Utilizando o conhecimento de arte da dupla e dando treinamento aos membros da comunidade para que eles mesmos pintem suas casas, a iniciativa tem tudo para estimular mudanças e valorizar o espaço urbano em áreas tão prejudicadas socialmente.

Site do projeto

Existe algo parecido na sua comunidade? Compartilhe com a gente e registre a história em vídeo para participar do Concurso CNN!