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O olhar que é só seu

postado por Concurso CNN em 9 de julho de 2010

Por Eliane Brum*

Nossa grande busca na reportagem, assim como na vida, é nos tornarmos cada vez mais aquilo que somos. Esta é a busca que nunca acaba, a busca de uma vida inteira. Olhar para dentro e perseguir nosso jeito singular de enxergar o mundo exige coragem, porque é mais fácil imitar e repetir – do que questionar e tentar. Quem tenta, sempre se arrisca a errar – e vai errar, cedo ou tarde. Mas sempre acreditei que é melhor cometer nossos próprios erros do que o acerto dos outros.

Aprendemos com quem fez e faz, com profundo respeito e humildade, mas é necessário encontrar a nossa expressão no mundo, a nossa contribuição única e intransferível. O concurso da CNN é uma oportunidade para este exercício, o exercício de olhar para ver – o exercício do seu olhar. Nele, tão importante quanto a escolha da história que você vai contar é como vai contar essa história. Porque uma história só se torna uma história quando você, que a conta, está encarnado nela, ainda que pela delicadeza.

Acredito que nosso olhar, quando verdadeiro, transforma o mundo para melhor. Transforma porque quando exercemos nosso olhar com verdade, fúria e delicadeza, ele revela aquilo que estava ali, diante de todos, mas ninguém tinha visto daquele jeito, por aquele ângulo, com aquela soma de nuances.

Ao contrário de alguns colegas, de alguns professores e de alguns estudantes do curso de jornalismo, acho que vivemos um grande momento para a reportagem, grávido de possibilidades. Não acho que exercer a profissão hoje seja mais fácil ou mais difícil que em outros momentos históricos. É diferente, apenas. Cada época contém seus desafios e suas idiossincrasias. (Convém lembrar que era bem mais arriscado exercer a profissão com verdade na época da ditadura militar, como a memória de Vladimir Herzog nos prova. Assim como deve ser bem mais complicado ser repórter hoje no Irã do que no Brasil, por exemplo.)

Repórter tem de saber que a vida não é fácil – nunca foi – e que seu espaço tem de ser conquistado – e não ganho – com competência, caráter e trabalho duro. A reportagem exige coragem de cada um de nós. É o preço pela honra de entrar na casa das pessoas e contar suas histórias, pelo privilégio de sermos testemunhas do nosso tempo. Quando a gente está estreando nessa vida, é preciso resistir aos muitos que dizem que não vale a pena seguir em frente. Poucas coisas são mais tristes que desistir antes da vida.

A novidade de nossa época é a internet. E acredito que a internet trouxe muitas possibilidades para quem ama a reportagem. Cada vez mais a notícia de última hora, a corrida pela informação instantânea, é da internet. Tudo que se limita ao anúncio de um fato envelhece em segundos. Nossa atuação como repórteres, seja de meio impresso, TV, rádio ou mesmo de outros espaços da internet, vai exigir aquilo que é – e sempre foi – a definição da boa reportagem: riqueza de detalhes, rigor e precisão da apuração, capacidade de análise e reflexão, profundidade e contexto, nuances, muitas nuances, assim como a habilidade de navegar na zona cinzenta que é o território do jornalismo.

E personalidade. Me parece que cada vez mais a diferença se dará na forma como contamos o que contamos. Só fará diferença quem conseguir revelar aquilo que já é de cada um, mas que desvelar exige muito trabalho, esforço e conhecimento (do mundo e de si mesmo): o olhar singular. Aquele que, se você deixar de exercitar, fará falta. Este é, ao mesmo tempo, o desafio e a oportunidade desse concurso.

Estou ansiosa para conhecer as histórias que vocês vão contar – do jeito que só vocês podem contar. Até lá, boa sorte na melhor profissão do mundo!

*Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem.

Como elevar a auto-estima de uma comunidade: caso de sucesso

postado por Concurso CNN em 1 de julho de 2010

Comunidades carentes sofrem de diversos problemas, como falta de infra-estrutura, violência e doenças. Mas algo que não se fala muito é na baixa auto-estima que essas comunidades carregam. E quando surgem iniciativas que trazem orgulho para quem mora nos locais afetados, temos mesmo é que divulgar e louvar essas atitudes. Ande pela sua cidade e descubra o que está sendo feito para levar dignidade a quem mais precisa. Sua pauta pode estar aí!

Favelas cariocas são pintadas com ajuda dos próprios moradores

Um projeto capitaneado pelo duo de artistas holandeses Haas&Hahn e chamado Favela Painting está mudando a cara de morros no Rio de Janeiro. Utilizando o conhecimento de arte da dupla e dando treinamento aos membros da comunidade para que eles mesmos pintem suas casas, a iniciativa tem tudo para estimular mudanças e valorizar o espaço urbano em áreas tão prejudicadas socialmente.

Site do projeto

Existe algo parecido na sua comunidade? Compartilhe com a gente e registre a história em vídeo para participar do Concurso CNN!

Tudo passa pela educação. E essa lição pode servir de pauta.

postado por Concurso CNN em 21 de junho de 2010

Diversas iniciativas de sucesso ligadas à cultura e à economia têm em suas raízes a educação. É inegável que investir em atividades educativas melhora uma cidade, qualificando as pessoas que participarão do seu progresso. Com certeza, a sua cidade tem projetos de educação que dariam uma bela pauta, basta investigar. Vá atrás das histórias e grave o seu vídeo para o Concurso CNN. Para inspirar você, aqui vão alguns exemplos:

Projeto Curta Cultura São Paulo

O Curta Cultura São Paulo foi um projeto de exibição de curtas-metragens realizado em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura e o Museu da Imagem e do Som – MIS entre os meses de fevereiro e outubro de 2009. O objetivo era levar sessões de cinema a locais com difícil acesso à cultura. Focado principalmente em jovens, a iniciativa procurou estimular a discussão e o pensamento crítico.

Saiba mais clicando aqui!

Ponto de Cultura Periferia no Centro

Parte da organização Ação Educativa, que promove os direitos educativos e da juventude, o espaço foi inaugurado em março deste ano, em São Paulo. Lá é trabalhada a educação de jovens da periferia, alguns cumprindo medidas socio-educativas, através da cultura produzida nas próprias periferias (literatura, artes plásticas, vídeo, música).

Site do projeto

Projeto Vendo-Troco

Nas palavras do site Favela é Isso Aí: “Projeto-piloto que pretende identificar e mapear o setor produtivo nas favelas e fortalecer os micro e pequenos negócios nas comunidades. O trabalho é realizado através da utilização das tecnologias da comunicação e informação e das premissas da economia popular solidária.” Mais uma iniciativa que merece destaque, dessa vez ligada à economia.

Acesse o site

Bicicletas como transporte urbano alternativo: uma pauta do momento

postado por Concurso CNN em 8 de junho de 2010

Diminuir emissões de poluição tornou-se uma necessidade imediata nas últimas décadas. Com as frotas de automóveis em constante crescimento, é preciso encontrar meios de transporte que sirvam de alternativa para a locomoção nas cidades. E é aí que entram as bicicletas, que ganham cada vez mais espaço nos meios urbanos, através de iniciativas muito interessantes. Reunimos aqui algumas delas para mostrar que boas ideias sempre têm vez. E na sua cidade, já existem ciclovias? Iniciativas como essas podem virar pauta para a sua matéria no Concurso CNN. Pense nisso!

Ônibus com carregadores de bicicletas em Santa Cruz do Sul (RS)

Santa Cruz do Sul é uma cidade relativamente pequena, mas está dando exemplo para muita metrópole por aí. Desde fevereiro, ônibus circulam pelo município com carregadores de bicicleta, permitindo que a população leve seu meio de transporte alternativo para onde quiser. Mesmo não tendo grandes congestionamentos, Santa Cruz do Sul está mostrando que é sempre possível adotar medidas de combate à poluição. Modelo a ser exportado para todas as grandes cidades do Brasil tomadas por carros e fumaça.

http://www.bikenamidia.com/site/?cat=30

Panorama do uso de bicicletas em algumas cidades ao redor do mundo

Produzido pela ONG holandesa I-CE (Interface Cycling Expertice), o documentário Ciclovias para Cidades que Queremos mostra políticas que transformaram algumas cidades em um paraíso das bicicletas. Lugares como Amsterdã, Copenhague e Bogotá provam que com apoio do governo e da população pode-se mudar a configuração urbana e colocar as bicicletas como prioridade.

http://www.youtube.com/watch?v=y4k1hfmcNBg (parte 1)

http://www.youtube.com/watch?v=WFmR9q1RsUU (parte 2)

Dicas para viabilizar bicicletas de aluguel no Brasil

Alugar bicicletas tem sido uma atividade comum em várias cidades pelo mundo afora. As pessoas as utilizam não apenas para passeio, mas sim para trabalhar, como uma alternativa aos carros. Será que no Brasil isso daria certo? Pois este texto mostra que é possível, desde que algumas medidas sejam adotadas. O desafio está lançado. Se poder público e privado entrarem nessa iniciativa, os resultados podem ser bastante animadores.

http://www.gizmodo.com.br/conteudo/made-brazil-como-transformar-bicicleta-em-transporte-publico-0?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+gizmodobr+%28Gizmodo+Brasil%29

Mobilização de moradores do Porto da Lagoa pela construção de ciclovias já dura 12 anos

Nosso último destaque não é uma iniciativa que deu certo e sim um exemplo de persistência e dedicação a uma causa. O Movimento Ciclovia da Lagoa , através da AMPOLA – Associação dos Moradores do Porto da Lagoa, vem há 12 anos lutando pela implantação de ciclovias ao redor da orla da Lagoa da Conceição, em Florianópolis. Pelo blog do movimento é possível acompanhar tudo que é feito para valorizar as bicicletas como meio de transporte na capita de Santa Catarina.

http://movimentociclovianalagoaja.blogspot.com/

E você, tem outros exemplos de iniciativas no uso de bicicletas nas cidades? Compartilhe com a gente!

A importância de ser vizinho

postado por Concurso CNN em 4 de junho de 2010

A revista Good Magazine é um exemplo de veículo com boas pautas. Sempre há matérias interessantes nas suas páginas, especialmente no que diz respeito a atitudes que ajudam a mudar o mundo. Não por acaso, seu slogan é “Para pessoas que se importam”. Na edição mais recente, o tema escolhido foi vizinhança, um assunto de extrema importância para qualquer cidade, mas que nem sempre é discutido.

No editorial da revista, uma frase chama bastante atenção: “It seems that while we were becoming citizens of the world, we forgot to be citizens of where we live” (“Parece que, ao nos tornarmos cidadãos do mundo, esquecemos de ser cidadãos de onde vivemos”). Está aí um tema que estimula várias reflexões, por tratar de algo que não nos damos conta no dia a dia. Estamos cada vez mais conectados a pessoas ao redor do planeta, graças aos avanços tecnológicos. Mas e a nossa cidade? Será que nos “conectamos” com ela, com suas pessoas e lugares? Será que exercemos nosso papel de vizinhos, auxiliando a transformar nosso município em um local melhor?

A revista mostra exemplos de iniciativas que deram certo, da criação de espaços para lazer infantil à importância de placas de trânsito claras, passando pela implantação de clubes de vizinhos e incentivos para programas locais de TV. As possibilidades são muitas, desde que haja engajamento dos moradores e dos governantes em botar projetos legais em prática, e as situações descritas na edição mostram que mudar é possível. E que ser vizinho é muito mais do que apenas dividir o elevador com quem mora ao lado.

Leia essas e outras histórias de sucesso no site da revista.

Nova York: muitas atitudes para ser uma grande cidade

postado por Concurso CNN em 3 de maio de 2010

O crescimento econômico de Nova York tem relação direta com os investimentos em segurança. Esse fator foi fundamental para que o mercado imobiliário se expandisse às áreas que antes eram marginalizadas.

Há pouco mais de 20 anos, quase todas as regiões da cidade, que hoje é a mais populosa dos Estados Unidos, eram completamente diferentes. O então prefeito Rudolph Giuliani adotou na época a política da “tolerância zero”. Vândalos, bandidos e policiais corruptos não tinham mais espaço.

Foram feitos acordos entre o setor privado através do financiamento de projetos governamentais de infraestrutura. Em ação conjunta com governo, empresários aceitaram pagar mais impostos para garantir segurança e investimentos em infraestrutura. Isso recuperou a economia da cidade. Áreas degradadas e abandonadas passaram a ser valorizadas pelo mercado imobiliário.

Os empresários perceberam que, se a cidade tivesse mais segurança, se tornaria um lugar melhor para os negócios. A iniciativa privada passou a comprar imóveis em áreas degradadas e a promessa do governo era de reforma e melhora no acesso.

Outras alternativas existiram em bairros como o Dunble, no Brooklyn, que na década de 70 era o lugar mais violento de NY. Mas o que não mudaria jamais seria sua geografia. A localidade consiste numa das vistas mais bonitas de NY: à beira do Rio Hudson. Para que a mudança acontecesse, o governo oferecia de graça os imóveis a comerciantes e empresários. Trinta anos depois, badaladas galerias de arte, por exemplo, ocupam o bairro.

Outro exemplo é a rua Bowery, na Ilha de Manhattan. Há 10 anos era extremamente violenta e conhecida por seus inúmeros moradores de rua. Hoje, com investimentos em segurança e casas de apoio a essas pessoas, elas convivem em harmonia com os hóspedes de um hotel 5 estrelas ou com os clientes de uma grife chique.

Três cidades, três iniciativas

postado por Concurso CNN em 19 de abril de 2010

Garantir qualidade de vida à população é um desafio que qualquer administrador de uma cidade enfrenta.
É aí que a inovação aparece como um conceito fundamental.

A Conferência Internacional das Cidades Inovadoras, realizada no mês passado em Curitiba, é um exemplo de evento criado para fomentar projetos diferenciados das cidades.

Foram três dias (de 10 a 13 de março) de palestras e debates. Especialistas de todo o mundo mostraram que, apesar das diferenças geográficas, gestores enfrentam problemas bem parecidos.

O colombiano Ernesto Cortes, do jornal Jornal El Tiempo, marcou presença como representante da iniciativa “Bogotá, como vamos?”. Por meios de meios de comunicação como a internet, o projeto conta com a participação do cidadão nas políticas públicas. Acessando a rede, é possível conferir, no banco de dados, metas do governo e atualizações a respeito do alcance dessas metas.

Assim, os moradores da capital da Colômbia percebem que a cidade é resultado de uma construção coletiva e também do engajamento delas mesmas. Apontando e conferindo a solução de problemas de suas comunidades, elas se sentem mais participantes.

Rio, como vamos? e Outra São Paulo

A iniciativa colombiana serviu de modelo para que São Paulo e Rio também criassem projetos semelhantes. Nessas duas grandes metrópoles brasileiras, o objetivo das redes é recuperar os valores do desenvolvimento sustentável, da ética e da democracia participativa. As iniciativas “Rio, como vamos?” e “Outra São Paulo” têm o objetivo de resgatar a participação da população na resolução de problemas em áreas essenciais como Educação, Meio Ambiente, Segurança, Lazer e Cultura, Trabalho, Transporte, Moradia, Saúde e Serviços.

No Brasil, o crescimento de sociedades organizadas nesse sentido é eminente. Isso pode ser considerado vantagem, já que são muitos pessoas independentes que se organizam em separado mas geram mais resultados por benefícios em comum.

Segundo Ernesto, na Colômbia existem apenas 3 organizações como a “Bogotá, como vamos?”. Já em São Paulo, são 300. Sendo assim, aqui no Brasil são mais pessoas gerando debates e avanços sociais.

Fonte: http://www.cici2010.org.br/