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A importância de ser vizinho

postado por Concurso CNN em 4 de junho de 2010

A revista Good Magazine é um exemplo de veículo com boas pautas. Sempre há matérias interessantes nas suas páginas, especialmente no que diz respeito a atitudes que ajudam a mudar o mundo. Não por acaso, seu slogan é “Para pessoas que se importam”. Na edição mais recente, o tema escolhido foi vizinhança, um assunto de extrema importância para qualquer cidade, mas que nem sempre é discutido.

No editorial da revista, uma frase chama bastante atenção: “It seems that while we were becoming citizens of the world, we forgot to be citizens of where we live” (“Parece que, ao nos tornarmos cidadãos do mundo, esquecemos de ser cidadãos de onde vivemos”). Está aí um tema que estimula várias reflexões, por tratar de algo que não nos damos conta no dia a dia. Estamos cada vez mais conectados a pessoas ao redor do planeta, graças aos avanços tecnológicos. Mas e a nossa cidade? Será que nos “conectamos” com ela, com suas pessoas e lugares? Será que exercemos nosso papel de vizinhos, auxiliando a transformar nosso município em um local melhor?

A revista mostra exemplos de iniciativas que deram certo, da criação de espaços para lazer infantil à importância de placas de trânsito claras, passando pela implantação de clubes de vizinhos e incentivos para programas locais de TV. As possibilidades são muitas, desde que haja engajamento dos moradores e dos governantes em botar projetos legais em prática, e as situações descritas na edição mostram que mudar é possível. E que ser vizinho é muito mais do que apenas dividir o elevador com quem mora ao lado.

Leia essas e outras histórias de sucesso no site da revista.

O bom jornalismo

postado por Concurso CNN em 28 de abril de 2010

Por Amanda Camasmie*

Antes de ingressar na faculdade de jornalismo, uma recém-formada no curso me pediu para desistir. “O mercado é muito competitivo”, disse. Os fatos eram comprobatórios: a ex-estudante ainda não havia conquistado uma boa colocação no mercado de trabalho.

Hoje, o cenário não mudou. E talvez nunca mude. Promissores são aqueles que tomam consciência rapidamente do que é fazer jornalismo. Frequentemente, a equipe do blog Manual dos Focas tenta mostrar, por meio de relatos de jovens jornalistas, os desafios enfrentados por quem está iniciando na profissão. São histórias de profissionais que compartilham a crença de que o bom jornalismo busca uma boa reportagem onde menos se espera, ou talvez, até naquela obviedade em que ninguém presta atenção.

Muitos colegas com talento inegável têm tido dificuldades para se estabilizar na profissão. Nessa busca, passam a oferecer frilas a torto e a direito para os mais variados veículos de comunicação.

As respostas às ofertas de pautas têm seguido uma linha muito similar: não queremos sugestões que possam ser pesquisadas pela internet. Precisamos de coisas novas, que só possam ser encontradas nas ruas.

A questão é que essa novidade ainda escondida só pode ser contada por quem se dispõe a pisar no asfalto, no mato, na lama, ou seja lá onde for.

Sob o mote “Minha Cidade, Minha Vida, Uma Atitude”, o concurso da CNN desafia os estudantes a liberarem essa veia investigativa – aquela que passa longe de uma simples pesquisa em um motor de busca. Pessoas motivadas, novas e velhas ações, gente querendo fazer o bem. Todos estão à espera desse bom jornalista.

Descobrir e disseminar boas atitudes pode mudar a vida de muita gente e mostrar qual jornalista você irá querer ser no futuro: aquele que acha que faz a diferença ou aquele que buscará, todos os dias, tornar a diferença uma realidade?

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*Colaboradora do site Manual dos Focas, site direcionado a estudantes de jornalismo. Amanda é repórter em São Paulo.

A anatomia de uma reportagem premiada

postado por Concurso CNN em 26 de abril de 2010

Por Letícia Duarte*

(Advertência: estas linhas iniciais são só um “nariz de cera”: quem quiser pode pular e ir direto ao ponto, no texto abaixo)

Escrever em primeira pessoa é um negócio complicado para nós, jornalistas.

A gente aprende desde a faculdade que o “eu” não existe, que o repórter só tem de relatar os fatos, da forma mais objetiva possível, sem interferir na realidade.
E este princípio do assassinato do eu fica tão incrustado na gente que, mesmo quando não se está escrevendo uma reportagem, parece meio pecaminoso colocar uma experiência pessoal em primeiro plano.

Bom, todo esse “nariz de cera” (aquela enrolação que vem antes do assunto propriamente dito em uma reportagem!) é pra dizer que deparei com esse dilema ao escrever este post.
Queria contar uma experiência pessoal, por achar que ela poderia ser útil pra vocês, que estão se preparando para o Concurso Universitáriode Jornalismo CNN, mas ao mesmo tempo pensava: “Ih, vai parecer que tô me achando”. Pois bem. Doeu um pouco, mas pari o eu. Fecha parênteses.

***

Imaginem a seguinte situação: uma estudante de jornalismo do interior do Rio Grande do Sul faz uma matéria sobre prostituição juvenil para um jornal de sua cidade. Quatro meses depois, recebe a notícia de que essa reportagem foi indicada ao prêmio Esso de Jornalismo (naquele tempo ainda não existia o Concurso Universitáriode Jornalismo CNN!). Quando ela confere a lista dos finalistas, constata que está concorrendo com dois dos repórteres mais tarimbados do maior jornal do seu Estado (Nilson Mariano e Diogo Olivier, do jornal Zero Hora). E, quando chega o dia da solenidade, no Rio de Janeiro, tchan, tchan, tchan: a pirralha que ainda não havia se formado fica estática na cadeira, sem acreditar quando anunciam que ela deveria subir ao palco. O canhão de luz se volta para o seu rosto e ela ali, chocada, pensando: “como assim, ganhei?”

Parece inverossímil, eu sei, mas aos 22 anos vivi essa espécie de… exceção estatística (ora, ora, desde quando jornalismo tem conto de fadas?). Em 2002, dois meses antes de concluir a faculdade na Universidade de Caxias do Sul, na Serra gaúcha, recebi pela série de reportagens Adolescência Prostituída um dos prêmios mais tradicionais do país, na categoria Regional Sul. Na época, trabalhava como repórter no jornal Pioneiro, com o chamado registro profissional “precário”, autorizado pela Justiça na época.

Custei a acreditar que não tinham errado o nome quando me chamaram para subir ao palco, diante de uma plateia composta por alguns dos jornalistas que eu mais admirava no país, mas essa conquista inesperada se revelou para mim um exemplo extremo de como as boas histórias são imensamente maiores do que a inexperiência de quem as abraça – e, também, do tamanho dos veículos onde são publicadas. Moral da história: a pauta vale por si, independente se acontece em Washington, em Berlim, em São Paulo, ou numa cidade de 400 mil habitantes como a que eu nasci.

Pensei que seria interessante compartilhar essa experiência porque talvez vocês também subestimem, como eu subestimava, o poder das pautas que esbarram no nosso caminho – e nossa a própria capacidade pessoal em realizá-las. Acredito que um dos méritos da série Adolescência Prostituída tenha sido revelar um problema social comum a todas as cidades a partir de um ângulo diferenciado. Sim, porque muitos jornais já tinham publicado matérias sobre o assunto. Só que, às vezes, a pauta parece tão óbvia que se gente se esquece a riqueza dela.

O curioso é que a ideia surgiu a partir de uma dica de um professor da faculdade. No meio das discussões de uma revista universitária, ele comentou: “olha só, ouvi falar que agora têm meninas fazendo programa por R$ 1,99″. Na época, a revista da faculdade chegou a explorar o tema, mas não conseguiu comprovar o fato. Então propus aos meus editores do Pioneiro, onde eu trabalhava há cerca de um ano como repórter, que a gente investisse no assunto. Eles toparam e eu comecei a percorrer a cidade atrás das meninas. Passei mais de um mês espiando as esquinas, as praças, as beiras de estradas, em Caxias e outras cidades vizinhas, como Farroupilha e Bento Gonçalves. Pegava um carro sem logotipo, parava, descia e me aproximava das adolescentes. Propunha um jogo aberto: me apresentava como repórter e pedia que elas me contassem suas histórias, garantindo que elas não seriam identificadas. Perdi a conta de quantas vezes voltei para a redação frustrada: era difícil encontrá-las porque elas mudavam de lugar frequentemente, ou então fugiam quando eu me aproximava, mentiam, dissimulavam.

Mas, como repórter sem persistência também é repórter sem pauta, insisti. Recorri ao Conselho Tutelar, à Delegacia para a Criança e ao Adolescente Vítimas, às clínicas de desintoxicação de drogas onde parte das meninas tentava deixar o vício que as acorrentava à prostituição. E valeu a pena. Ao final da apuração, consegui descobrir muito mais do que eu imaginava: que as meninas tinham uma íntima ligação com o crack, uma droga que em 2002 ainda era pouco popular no país, e que seus corpos alimentavam a rede de tráfico da região. Vigiadas por traficantes, entregavam a eles os trocados que ganhavam. Com ajuda de conselheiros tutelares, encontrei a família de uma menina que andava com uma plaquinha, vendendo seu corpo por R$ 1,99. A essa altura, a liquidação se revelou mera consequência de uma degradação mais profunda: aos 19 anos, a jovem já tinha seis filhos – um de cada cliente diferente – e todos contaminados pelo HIV, como ela.

Durante os cinco dias da série, as oito adolescentes retratadas tiveram seus nomes trocados. No último dia, expunha-mos o único nome real: era Viviana, que morreu aos 15 anos. Assassinada. O corpo foi encontrado em um matagal, somente com sutiã, apresentando sinais de espancamento a pauladas. Com o encadeamento das histórias, a série revelou que os corpos à mostra escondiam uma realidade bem mais complexa – que começava pela violência doméstica que as empurrava para fora de casa, passava pela dependência química e ameaçava suas próprias vidas.

Como minhas pernas tremiam, não consegui pensar nisso tudo enquanto me dirigia para receber o prêmio, mas nas horas e horas insones que passei tentando entender como eu havia vencido, cheguei a essa conclusão. Só pode ter sido esse desvelamento – alcançado com uma boa dose de obstinação – que os jurados reconheceram ao premiar a então estudante universitária. Um esforço para escancarar o que as pessoas viam – sem enxergar – entre as esquinas. No caminho até o palco, só consegui articular uma frase e falar ao microfone: “Acredito que o jornalismo tem uma função social muito importante, e estou muito feliz de ter contribuído com a minha reportagem.” Pensando bem, acho que ainda repetiria essa mesma frase hoje, quase oito anos depois.

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Agora chegou a hora da perguntinha cretina: e você, já sabe o que fará para revelar a sua cidade e o seu talento?

*Letícia Duarte (@leticiaduarte), 29 anos, repórter da editoria de Geral de Zero Hora, conquistou o prêmios como o Esso de Jornalismo (2002), o Prêmio Iberoamericano pelos Direitos da Infância e da Adolescência da Unicef (2005) e o Embratel (2007), além de integrar o livro 45 Reportagens que Fizeram História, publicado por Zero Hora em 2008.

Confira outro post de Letícia Duarte.

Jornalismo. Profissão de alto risco…

postado por Concurso CNN em 16 de abril de 2010

*Do jurado Heitor Reali

Para os outros. É isso mesmo. Não estou falando de profissões perigosas, como bombeiros, policiais, mergulhadores e tantas outras. Para estas, na qual se conhece o risco, me atrevo a dizer que o risco fica menor. Refiro-me àquelas que, a partir de um diagnóstico errado, joga você no beleléu ou daquela outra em que uma sentença mal interpretada leva um inocente para a cucuia. E a de maior risco: o jornalismo. Uma informação incorreta, parcial ou dita com incompetência, pode contribuir para o caos, o pânico, gerar intrigas. Pense bem. Até uma simples resenha, crítica de cinema ou teatro, comentário esportivo, ou mesmo a indicação de um lugar turístico mal elaborada, ou que não carrega a verdade, traz prejuízo de todo o tipo.

Ao jornalista de vocação a base está na busca da verdade. Nada lhe parece; ele define, apura as informações e explica. Ele não “acha”, informa. Pode até se posicionar, mas para isso precisa ter conhecimento. Tem o dever de pesquisar e estudar o assunto. Vou até falar um palavrão: perscrutar. Só vale escrever sobre o que se sabe, viu ou sentiu. É necessário viver para narrar. Podem falar o diabo, mas o new journalism não existe nem mesmo para aqueles a quem imputaram sua origem, os americanos Gay Talese e Lilian Ross. E pior: está virando modinha e gerando equívocos. Descarte. A diferença é que Ross e Talese grudaram no assunto e puderam fazer reportagens preciosas, com tal gama de informações que as fazem beirar a ficção. Mas ainda continua prevalecendo a expressão da realidade sobre a imaginação de quem escreveu. Esta deve estar voltada para a forma do que se diz. Deixe de lado outro clichê que está virando praxe nas reportagens, quando pouco apuradas, e que se encaixa na última frase de um filme de John Ford (“O Homem que Matou o Facínora”): quando a lenda tornou-se fato, publique a lenda. Fique esperto.

Não subjugue nunca a inteligência do leitor, do espectador. Esta regra é fundamental para uma boa reportagem. Vejo o jornalismo pela graça e criatividade no olho arguto do repórter, expressas com inteligência e alavancadas pela ética. Com boa dose de imparcialidade. Não seja “torcedor” de nada e de ninguém, pois a palavra é poderosa. Carlos Alberto di Franco escreveu: “não se fazem matérias direito porque a reportagem se tornou tática demais, confiando em emails, telefones e internet. Não é mais cara a cara”. No bastidor, uma das causas é o borderô apertado de revistas e jornais, e é caro sair à na rua, à cata de boas informações.

Pense duas vezes. Tem certeza de que quer ser jornalista? Não dou conselhos, mas posso dar sugestões que me serviram em minha carreira. Os primeiros passos de um repórter se dão pela leitura. Os textos inspiram. Procure ler o assunto que o interessa, mas dê uma olhada nos livros de George Orwell e Italo Calvino. Mas não deixe de ler “A Honra Perdida de Katarina Blum”, de Heinrich Boll. Assista a “A Embriaguez do Sucesso”, obra-prima de Alexander Mackendrick, que pode ser considerada o melhor filme sobre imprensa de todos os tempos. Outro que precisa ser visto é “A Montanha dos Sete Abutres”, de Billy Wilder. Isso sem contar os documentários produzidos pela jornalista Neide Duarte para a TV Cultura. Preste atenção em um deles: “Quase o Peso de um Passarinho”. Como exemplo de bom jornalismo também elejo o “Profissão Repórter”. E é claro que há muitos outros. Você vai descobrindo. Por fim: veja a beleza que brota até no que é mais árido, e não se limite apenas a registrar a tragédia dos excluídos ou de quem quer que seja. Mas não se esqueça: a linha divisória é escorregadia. Por isso, esta profissão maravilhosa é também a de maior risco.

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* Há quinze anos, Heitor trocou a engenhosidade pela criatividade do jornalismo. Compõe a equipe de revistas como Brasileiros, Almanaque Brasil, Planeta, Bons Fluidos, Continental Multicultural, entre outras, também edita cartilhas ambientais. Este ano, ele é um dos jurados do Concurso Universitário de Jornalismo CNN.

A cidade, as pautas e o repórter: treine seu olhar

postado por Concurso CNN em 6 de abril de 2010

Por *Letícia Duarte

Temos um colega na redação de Zero Hora que é considerado uma lenda. Não só porque ele é um dos repórteres mais premiados do Sul do Brasil, com mais de 30 prêmios de Jornalismo, ou porque usa suspensórios – embora essas duas características deem uma boa amostra da personalidade única de Carlos Wagner. Mas também porque, do alto de suas quase três décadas de jornalismo, ele continua sendo um dos repórteres mais entusiasmados pela profissão que já empunhou um bloco – tanto que, enquanto a maioria dos jovens colegas chega esfregando os olhos de manhã, a lenda de cabelos brancos costuma avançar pela Editoria de Geral com sua inseparável mateira** a tiracolo antes das 8h e gritar bem alto: “ah, como eu amo esta m…”(piii)!

Lembrei dele quando soube do tema deste ano do concurso universitáro CNN: Minha Cidade, Minha Vida, uma Atitude, já que é do Wagner uma das melhores frases que já ouvi a respeito dessa relação umbilical do jornalismo com o seu entorno – a rua, a cidade, o Estado.

- Jornalista, as faculdades formam. Repórter, tu te formas na estrada – ensina.

Nesta época em que o jornalismo está cada vez mais instantâneo e asséptico, telefônico e internético, um dos maiores riscos que nossa profissão corre é justamente tirar o pé da rua. É perfeitamente possível apurar uma matéria inteira por telefone, pesquisar no Google informações complementares, entrevistar dois ou três especialistas no assunto e fechar a pauta sem dramas. Só que o perfeitamente possível quase nunca é o suficiente – e o suficiente quase sempre beira a mediocridade. A alma da reportagem não pode ser apreendida pela linha telefônica. Ela vive no Olho da Rua, como bem define o título do indispensável livro de Eliane Brum – outro exemplo de devoção à reportagem e uma das juradas deste concurso (se você ainda não leu o livro, se mexe!).

E, para quem deseja realmente cruzar a linha que define um repórter, é preciso é aprender a treinar o olhar. As pautas estão à espreita em todos os cantos, mas para enxergá-las é preciso desvelar o óbvio – tomar aquela atitude a que o tema deste concurso se refere. A grande matéria pode estar naquele menino que dorme na rua da sua casa, naquela gente que madruga na fila dos postos de saúde, na sofreguidão dos congestionamentos do trânsito, dentro de uma sala de aula. Repórteres são contadores de histórias. É preciso ter sensibilidade para encontrá-las. E para contá-las de um jeito que ninguém fez. É o que a gente chama de “sacada”. Como transformar um problema social em uma pauta? É necessário pensar uma forma diferente de abordá-lo, de uma maneira que se torne útil à sociedade. Que revele além do que todo mundo vê.

Um bom começo é aguçar o olhar ao andar pelas ruas. Observe aqueles personagens anônimos que circulam no seu entorno – pessoas são labirintos, por trás delas sempre há histórias a desvendar. Fique atento a movimentações estranhas. Desconfie de tudo e de todos, sempre. Questione discursos prontos, quem fala bonito demais ou promete mágicas geralmente tem algo a esconder. Troque seu caminho rotineiro de vez em quando, ande por ruas diferentes, ou tente buscar ângulos inusitados ao transitar pelos lugares conhecidos. Troque o carro pelo ônibus ou pelo metrô alguns dias da semana. Sinta a energia que pulsa das esquinas. Converse com pessoas que não fazem parte do seu círculo social. Um desconhecido pode revelar uma história surpreendente, ou dar a pista para você chegar até ela. Aprenda a escutar as lições das ruas, em vez de tentar enquadar os fatos em pré-conceitos.

Não existem fórmulas prontas, só perspicácia, sensibilidade e inquietude. A única certeza é que, para descobrir a cidade, é preciso sujar os pés no barro. Encharcar-se de realidade. E assim um repórter vai nascendo: gestado pelos temas que se propõe a confrontar. A cada nova reportagem, um novo parto.

* Letícia Duarte (@leticiaduarte), 29 anos, repórter da editoria de Geral de Zero Hora, conquistou o prêmios como o Esso de Jornalismo (2002), o Prêmio Iberoamericano pelos Direitos da Infância e da Adolescência da Unicef (2005) e o Embratel (2007), além de integrar o livro 45 Reportagens que Fizeram História, publicado por Zero Hora em 2008.

**pra quem não sabe o que é mateira, é aquela espécie de bolsa para carregar a cuia de chimarrão, o mate e a garrafa térmica, popular no Rio Grande do Sul.

Conheça e mostre atitudes da sua cidade ao Brasil

postado por Concurso CNN em 5 de abril de 2010

O que você faria se chegasse às suas mãos a seguinte pauta: “Minha cidade, Minha vida, Uma atitude”?

Saia do conforto da sua “redação” e ande pela cidade com olhar curioso que o jornalista ensaia tanto. Converse com as pessoas, perceba a diversidade de paisagens que a cidade envolve. Leia sempre o jornal local. Discuta sobre os problemas vividos na comunidade da qual você faz parte.

Aos poucos você descobrirá as mudanças e as iniciativas que devem ser reconhecidas.

Lembrando que seu deadline é 9 de julho e você terá centenas de colegas também na busca da melhor matéria prima para este pauta.

Procure pessoas, comunidades ou organizações que façam a diferença na realidade da sua cidade.

Seja trabalhando pelo reaproveitamento de resíduos , plataforma de participação pública, inclusão social, acesso à arte, redução da poluição do meio-ambiente, educação no trânsito, colaboração na educação de jovens e adultos, limpeza das praças ou o que mais fizer a diferença na realidade local de uma cidade. Sua tarefa é mostrar isso para o Brasil.

É uma grande responsabilidade! Mas, como porta-voz, você poderá atrair reconhecimento da sociedade fazendo a atitude se espalhar pelo resto do Brasil.

Manual dos Focas: como aproveitar a faculdade além da sala de aula

postado por Concurso CNN em 26 de março de 2010

João Porto*

Se você quer ser jornalista, nada melhor que estudar jornalismo para começar. Entretanto, a sala de aula não é o único ambiente que podemos aprender os trejeitos da profissão. Atividades fora da sala de aula são importantíssimas para a formação de um jornalista.

Palestras e cursos fora da universidade são importantes formas de absorver experiências de profissionais mais tarimbados e também fazer contatos para o futuro. Criar projetos experimentais também são interessantes. Lembro-me que nos primeiros semestres eu e outros membros do Manual dos Focas criamos um programa de rádio para a faculdade – chamava-se Chá da Tarde – tinhámos seis horas na semana para elaborar e produzir conteúdo. O programa era divertido, as vezes até mais divertido do que informativo, e serviu para começarmos a aprender que um jornalista precisa de organização para sobreviver.

Os estágios também são importantíssimos para a formação de jovens jornalistas. São através dos estágios que os estudantes começam a absorver a realidade do que eles vão enfrentar no futuro. O estágio também é interessante para você começar a traçar metas profisisonais e descobrir o que você gosta de trabalhar no amplo mercado de comunicação.

Participar de concursos também pode ser um ótimo aprendizado para a carreira. Aqueles que conseguem boas colocações em concursos promovidos por empresas de comunicação, como a CNN, podem muito bem colocar isso no currículo e aumentar suas referências. Quando estamos formados a busca são pelos prêmios, e às vezes, por processos (risos).

Durante minha estadia na Universidade explorei bastante as ações fora da sala de aula. Participei de várias palestras, inclusive de outros cursos, e tentei conhecer o máximo de pessoas possíveis para criar laços com futuras fontes. Acredito que para ser um bom jornalista é preciso sempre estar em busca de mais informação.

Informação é a principal ferramenta do jornalista, por isso, sempre deve-se buscar por novos conhecimentos.

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*Editor do site Manual dos Focas que é direcionado a estudantes de jornalismo. João é um jovem reporter esportivo que atua em um jornal de Brasília.