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‘Minha vitória abriu portas para mim’, diz ganhador de 2009

postado por Concurso CNN em 23 de março de 2010

Texto de Marcos César Oliveira*

Conheci o Concurso Universitário de Jornalismo da CNN através de um cartaz colocado na universidade. No começo, parecia apenas um sonho impossível ganhar. Eu ainda era iniciante na faculdade, sentia que sabia tão pouco e com certeza a concorrência seria muito mais preparada. Mesmo assim, me encantei com a possiblidade de participar, de me arriscar na competição para conhecer o concurso e, se conseguisse me destacar, adicionar um diferencial ao meu currículo.
Mobilizei amigos que se entusiasmaram comigo, contribuiram com seu talento, conhecimento e paciência. Dedico a eles um enorme OBRIGADO DO FUNDO DO MEU CORAÇÃO: Marinaldo Matos (da Kadosh Produções, que meu doou equipamento e edição), Prof. Gilson Monteiro (meu orientador), Leonardo Costa (cinegrafista e amigo) e Eduardo Hübner (Mago da edição).
A notícia
Recebi com surpresa e felicidade a notícia de que havia sido classificado para a final. Ser escolhido por um juri de alto nível profissional já significou uma vitória imensa para quem só queria participar para saber como era o concurso. Ao ser convidado para ir a São Paulo, mais um passo além do que eu pensei. Conhecer os outros finalistas foi um momento especial: trocar idéias e impressões com estudantes como eu, apaixonados pelo jornalismo e cheios de surpresa e alegria por estarem na final. Ganhar o prêmio máximo foi um sonho realizado, e um passo gigantesco para um estudante comum, do norte do Brasil, de origem humilde e com tanto ainda por aprender sobre jornalismo.

E depois?

Minha vitória abriu portas para mim (foi a jóia que reluziu em meu currículo e garantiu o emprego que tenho hoje). Colocou meu nome em evidência no cenário do jornalismo local. Dei entrevistas para todos os meios de comunicação da minha cidade. Fui parabenizado por jornalistas no alto da carreira que confessaram ter o sonho de conhecer a CNN.

Despertou o interesse de centenas de estudantes que passaram a ver com outros olhos o curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Trouxe novo alento aos professores do Departamento de Comunicação da UFAM, que se sentiram felizes e premiados na pessoa do Prof. Gilson Monteiro. Enfim, mudou para melhor a minha trajetória profissional e trouxe muita alegria e orgulho aos meus amigos, colegas de curso, minha Universidade e a minha cidade, Manaus.
Laboratório real time
Este ano quero me dedicar a ajudar outros estudantes das diversas faculdade de Manaus que têm curso de jornalismo, para que nosso talento e nossas notícias possam ganhar repercussão e sejamos vistos pelo Brasil. O Concurso Universitário de Jornalismo da CNN é um concurso sério, e uma oportunidade de aprendizado impar. Conhecer a CNN foi um laboratório de jornalismo em “real time” que expandiu minhas percepções acerca de jornalismo, notícia e papel social da imprensa.

Aprendi muito, conversando com profissionais do primeiro time do jornalismo, em uma emissora que cria os padrões que serão adotados na imprensa televisiva mundial. Ganhar o Concurso da CNN foi para mim a prova definitiva de que o talento e a persistência podem conquistar grandes coisas e nos levar além daquilo que sonhamos.


Em todo estudante que acreditar no próprio talento e produzir sua reportagem para o Concurso da CNN 2010 já está plantada a semente do sucesso e da vitória.
Boa sorte a todos os participantes!

A reportagem

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Estudante da Universidade Federal do Amazonas, vencedor do Concurso Universitário CNN 2009, escreveu sobre tudo que aconteceu em sua carreira depois do prêmio.

Meu DNA é digital

postado por Concurso CNN em 19 de março de 2010

Por Tiago Dória*

Sempre é difícil falar da própria carreira profissional. Nós, jornalistas, somos treinados a não ser protagonistas, a sempre sermos neutros e analisarmos os fatos com o olhar de uma pessoa de fora. Por isso que para muitos é difícil falar de si mesmo.

Para mim, não é diferente. Mas vou tentar contar a vocês dois momentos marcantes da minha carreira profissional, conforme a organização me pediu.

Já trabalhei com mídia impressa, rádio e TV (antes da MTV), mas o meu DNA é digital. Foi em torno do meu blog, que mantenho desde 2003, que construí a minha reputação na área de jornalismo.

Há 7 anos, sem interrupções, faço uma pesquisa diária sobre assuntos ligados às áreas de cultura digital, mídia e tecnologia. Hoje, é um dos principais blogs de mídia, lido por importantes profissionais das áreas de tecnologia e comunicação dentro e fora do Brasil.

Diariamente, escrevo, edito, faço vídeos, opino e analiso as informações e, principalmente, conheço pessoas interessantes e talentosas por meio dele.

Por isso, já que atualmente a minha carreira gravita em torno do blog, achei justo separar dois momentos marcantes que tive relacionados a ele:

O primeiro foi durante o Tsunami na Ásia, em 2004. Logo que as primeiras informações começaram a circular em fóruns de discussão, resolvei fazer um liveblogging da tragédia. Comecei a agregar as informações e a manter um fluxo constante sobre a tragédia, mais ou menos como hoje já é prática comum no jornalismo online.

Durante a cobertura, quando me dei conta, já estava em uma rede internacional de blogs que estavam relatando o Tsunami. A rede foi criada de forma orgânica, sem ninguém dar uma ordem, começamos a trocar informações e fazer links um para o outro. Meu blog foi linkado no verbete da Wikipedia a respeito da tragédia e logo recebeu milhares de visitas e comentários. Pessoas começaram a trocar dados sobre desaparecidos e locais para doar alimentos. Era o único blog em língua portuguesa que estava cobrindo a tragédia.

Eu já tinha essa noção, mas isso, de certa maneira, intensificou mais ainda a ideia sobre o quanto a internet pode ser uma importante fonte de informações para mobilizar e conectar pessoas ao redor de questões importantes. Percebi o quanto o meu trabalho, que começou de forma descompromissada, era importante.

O segundo momento marcante foi ter sido convidado para ser blogueiro oficial da Pop!Tech, que é uma das principais conferências sobre ciência e tecnologia do mundo. Chris Anderson, Robert Metcalfe e Malcolm Gladwell são algumas personalidades sempre presentes.

No caso, atuei como “bridge-blogger”, fazendo uma ponte entre o que era dito nas apresentações e o que estava acontecendo no Brasil. Para mim, foi um experiência muito enriquecedora. Não somente pelo blog ter sido citado no BoingBoing e na Wired, mas por fazer parte dessa comunidade de pensadores que é a Pop!Tech.

Aprendi duas coisas relacionadas à profissão com esses momentos.

Primeiro, no caso do Tsunami, levei a lição de que o jornalista não pode mais trabalhar como se estivesse numa ilha. Ele não usa a rede, ele está em rede. E é mais um nó nessa grande rede de comunicação mediada por computadores.

No caso da Pop!Tech, aprendi que, mais cedo ou tarde, o seu trabalho será reconhecido. Pode parecer que não, mas sempre tem alguém observando o seu trabalho e, às vezes, dos lugares onde você menos espera.

Enfim, sei que é meio difícil falar isso para quem é estudante, ou está começando na carreira, louco para fazer e acontecer. Mas, na área de jornalismo, muitas vezes, o mais importante não é conquistar tudo de uma vez, e sim buscar o equilíbrio, ir devagar, mas sempre e constante. Tenho certeza que, dessa maneira, as conquistas em sua carreira serão bem mais consistentes.

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* O jornalista Tiago Dória está entre os jurados do Concurso CNN deste ano.  Saiba mais sobre ele!