E-Mail:
Senha:

Como achar aquele personagem que você procura

postado por Concurso CNN em 7 de julho de 2010

Por Clarissa Barreto*


Não existe reportagem sem pessoas, sejam elas uma grávida que espera o primeiro filho, alguém que investe na caderneta de poupança, um marido que troca a mulher pelo futebol durante a Copa do Mundo.

E se o personagem necessário for um “idoso que curte a Lady Gaga” – um pedido real? Ou pior: se em vez de um personagem, você precisa mesmo é falar com um político ou dirigente de uma grande empresa e não tem o telefone dele?

Para – quase – tudo há um jeito a dar. Confira algumas ideias:

- Busque em seu próprio arquivo. Não apague os releases que receber, mesmo os que pareçam estapafúrdios. Arquive todos em uma conta de e-mail gratuita, como o Gmail. Mande os telefones e e-mails que for conseguindo amealhar ao longo do tempo para este e-mail, com palavras-chave. Assim, no dia em que precisar, será bem fácil encontrá-los em uma busca simples.

- Espalhe seu pedido pela internet. Mande e-mails para amigos e assessores de imprensa, não se envergonhe do seu spam – neste caso, quanto mais pessoas souberem do que você precisa, maiores as chances de conseguir. No Twitter, há o perfil @ajudeumreporter, que leva seu drama a 4 mil timelines diferentes, cujos perfis podem retuitar, sucessivamente… As possibilidades são infinitas. Também dá para deixar pedidos em comunidades no Orkut e grupos no Facebook que sejam relacionados à pauta – precisa de alguém que morou na Austrália? Algo me diz que você pode encontrar seu personagem na comunidade “Eu já morei na Austrália”.

- Porém, nem só de internet vive o repórter. Procure lugares relacionados com a sua pauta. Há poucos dias, um colega precisava de um personagem bem específico: uma família que ganhasse pouco e estivesse bem endividada. Parecia fácil. Ele mandou um mail para amigos e conhecidos, que não indicaram ou não conheciam – pouca gente admite estar endividada ou quer indicar alguém nesta situação. A reportagem – para um jornal diário – era para o mesmo dia, e o tempo estava passando. Sugeri uma visitinha ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Quem vai lá, certamente está endividado. Além disso, uma conversa olho no olho normalmente rende uma história melhor, quebra o gelo e torna a entrevista mais interessante. Funcionou para ele.

- Seu personagem não é um personagem qualquer. É uma fonte com F maiúsculo: o presidente de uma grande empresa, dirigente de entidade, um político que não está em campanha (se estivesse, aí seria bem fácil). Como achar esta gente? Você já tentou os meios ortodoxos – assessoria de imprensa, o marketing, a secretária e – claro – e-mail e twitter para seus amigos jornalistas, mas nada feito. A primeira ideia é cercá-lo via fontes próximas, um dos diretores, um outro deputado do mesmo partido. Se não funcionar, a dica é tentar a boa e velha lista telefônica. Há uma chance de o nome dele estar lá, com o telefone residencial. Se ele for um espertinho, o telefone está, mas o nome dele não – o número pode estar em nome da mulher, de um filho ou coisa parecida. Se ele tiver um sobrenome diferente, vale fazer uma busca só por ele – aparecerão apenas parentes, que podem ingenuamente indicar o contato. Há também a hipótese de se plantar na frente da residência ou da empresa e esperar. Mas é uma possibilidade arriscada, que pode não dar em nada – ou dar na delegacia.

Veja os depoimentos de dois jornalistas que convivem diariamente com a busca de personagens e como eles preferem trabalhar.

“Adoro catar personagem na rua. Exceto em casos muito específicos, acho muito melhor do que ficar buscando dicas de amigos ou por telefone. Assim, se preciso de alguém para mostrar que a classe C está comprando mais eletrodomésticos, me mando para a casas Bahia, Colombo ou outra loja que me franquear acesso. Se nenhuma liberar, fico na rua, no centro da cidade, em frente aos shoppings. É preciso trabalhar o sorriso na aproximação, escancarar o crachá, porque hoje as pessoas sempre acha que é um golpe, mas, mesmo assim, dá uma certa adrenalina e uma sensação de que a gente ‘realmente está trabalhando, lutando para obter a história’”.

Sebastião Ribeiro, jornalista free-lancer, sócio da Cartola – Agência de Conteúdo.

“Coisa que eu odeio é achar personagens com um perfil definido. Mas em 2004, na Coreia do Sul, eu tinha uma tarefa dessas e estava tranquilo porque achei que seria muito fácil: encontrar um jovem que usasse celular pra saber o que ele fazia com o telefone – na época, celulares cheios de funções eram comuns por lá e os nossos estavam anos atrasados. Fui num shopping em Seul crente que teria a minha história logo, e comecei a abordar adolescentes em inglês. Para meu pavor, ninguém falava o suficiente para desenvolver qualquer ideia. Enquanto o conceito de que na Coreia todo mundo fala inglês evaporava, eu ia ficando sem alternativas. Faltando meia hora, três guris de uns 12 ou 13 anos, uniformizados e com cadernos de escola, vieram falar comigo, em um inglês muito bom:
- Posso falar inglês com o senhor? – perguntou um deles.
- Vocês têm celular? – perguntei de volta.
Tinham recebido como tema de casa ir para a rua e falar inglês com alguém. Como tinham celular, eu tive minha entrevista. E até hoje adoro o sistema educacional coreano.”

Rodrigo Muzell, repórter do jornal Zero Hora.

Você também deve ter seus truques ou histórias. Divida com a gente.

*Jornalista free-lancer, colabora com as revistas Superinteressante, Piauí, jornal O Globo, portal UOL. É sócia da Cartola – Agência de Conteúdo (http://www.cartolaconteudo.com.br/).

O bom jornalismo

postado por Concurso CNN em 28 de abril de 2010

Por Amanda Camasmie*

Antes de ingressar na faculdade de jornalismo, uma recém-formada no curso me pediu para desistir. “O mercado é muito competitivo”, disse. Os fatos eram comprobatórios: a ex-estudante ainda não havia conquistado uma boa colocação no mercado de trabalho.

Hoje, o cenário não mudou. E talvez nunca mude. Promissores são aqueles que tomam consciência rapidamente do que é fazer jornalismo. Frequentemente, a equipe do blog Manual dos Focas tenta mostrar, por meio de relatos de jovens jornalistas, os desafios enfrentados por quem está iniciando na profissão. São histórias de profissionais que compartilham a crença de que o bom jornalismo busca uma boa reportagem onde menos se espera, ou talvez, até naquela obviedade em que ninguém presta atenção.

Muitos colegas com talento inegável têm tido dificuldades para se estabilizar na profissão. Nessa busca, passam a oferecer frilas a torto e a direito para os mais variados veículos de comunicação.

As respostas às ofertas de pautas têm seguido uma linha muito similar: não queremos sugestões que possam ser pesquisadas pela internet. Precisamos de coisas novas, que só possam ser encontradas nas ruas.

A questão é que essa novidade ainda escondida só pode ser contada por quem se dispõe a pisar no asfalto, no mato, na lama, ou seja lá onde for.

Sob o mote “Minha Cidade, Minha Vida, Uma Atitude”, o concurso da CNN desafia os estudantes a liberarem essa veia investigativa – aquela que passa longe de uma simples pesquisa em um motor de busca. Pessoas motivadas, novas e velhas ações, gente querendo fazer o bem. Todos estão à espera desse bom jornalista.

Descobrir e disseminar boas atitudes pode mudar a vida de muita gente e mostrar qual jornalista você irá querer ser no futuro: aquele que acha que faz a diferença ou aquele que buscará, todos os dias, tornar a diferença uma realidade?

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*Colaboradora do site Manual dos Focas, site direcionado a estudantes de jornalismo. Amanda é repórter em São Paulo.

A anatomia de uma reportagem premiada

postado por Concurso CNN em 26 de abril de 2010

Por Letícia Duarte*

(Advertência: estas linhas iniciais são só um “nariz de cera”: quem quiser pode pular e ir direto ao ponto, no texto abaixo)

Escrever em primeira pessoa é um negócio complicado para nós, jornalistas.

A gente aprende desde a faculdade que o “eu” não existe, que o repórter só tem de relatar os fatos, da forma mais objetiva possível, sem interferir na realidade.
E este princípio do assassinato do eu fica tão incrustado na gente que, mesmo quando não se está escrevendo uma reportagem, parece meio pecaminoso colocar uma experiência pessoal em primeiro plano.

Bom, todo esse “nariz de cera” (aquela enrolação que vem antes do assunto propriamente dito em uma reportagem!) é pra dizer que deparei com esse dilema ao escrever este post.
Queria contar uma experiência pessoal, por achar que ela poderia ser útil pra vocês, que estão se preparando para o Concurso Universitáriode Jornalismo CNN, mas ao mesmo tempo pensava: “Ih, vai parecer que tô me achando”. Pois bem. Doeu um pouco, mas pari o eu. Fecha parênteses.

***

Imaginem a seguinte situação: uma estudante de jornalismo do interior do Rio Grande do Sul faz uma matéria sobre prostituição juvenil para um jornal de sua cidade. Quatro meses depois, recebe a notícia de que essa reportagem foi indicada ao prêmio Esso de Jornalismo (naquele tempo ainda não existia o Concurso Universitáriode Jornalismo CNN!). Quando ela confere a lista dos finalistas, constata que está concorrendo com dois dos repórteres mais tarimbados do maior jornal do seu Estado (Nilson Mariano e Diogo Olivier, do jornal Zero Hora). E, quando chega o dia da solenidade, no Rio de Janeiro, tchan, tchan, tchan: a pirralha que ainda não havia se formado fica estática na cadeira, sem acreditar quando anunciam que ela deveria subir ao palco. O canhão de luz se volta para o seu rosto e ela ali, chocada, pensando: “como assim, ganhei?”

Parece inverossímil, eu sei, mas aos 22 anos vivi essa espécie de… exceção estatística (ora, ora, desde quando jornalismo tem conto de fadas?). Em 2002, dois meses antes de concluir a faculdade na Universidade de Caxias do Sul, na Serra gaúcha, recebi pela série de reportagens Adolescência Prostituída um dos prêmios mais tradicionais do país, na categoria Regional Sul. Na época, trabalhava como repórter no jornal Pioneiro, com o chamado registro profissional “precário”, autorizado pela Justiça na época.

Custei a acreditar que não tinham errado o nome quando me chamaram para subir ao palco, diante de uma plateia composta por alguns dos jornalistas que eu mais admirava no país, mas essa conquista inesperada se revelou para mim um exemplo extremo de como as boas histórias são imensamente maiores do que a inexperiência de quem as abraça – e, também, do tamanho dos veículos onde são publicadas. Moral da história: a pauta vale por si, independente se acontece em Washington, em Berlim, em São Paulo, ou numa cidade de 400 mil habitantes como a que eu nasci.

Pensei que seria interessante compartilhar essa experiência porque talvez vocês também subestimem, como eu subestimava, o poder das pautas que esbarram no nosso caminho – e nossa a própria capacidade pessoal em realizá-las. Acredito que um dos méritos da série Adolescência Prostituída tenha sido revelar um problema social comum a todas as cidades a partir de um ângulo diferenciado. Sim, porque muitos jornais já tinham publicado matérias sobre o assunto. Só que, às vezes, a pauta parece tão óbvia que se gente se esquece a riqueza dela.

O curioso é que a ideia surgiu a partir de uma dica de um professor da faculdade. No meio das discussões de uma revista universitária, ele comentou: “olha só, ouvi falar que agora têm meninas fazendo programa por R$ 1,99″. Na época, a revista da faculdade chegou a explorar o tema, mas não conseguiu comprovar o fato. Então propus aos meus editores do Pioneiro, onde eu trabalhava há cerca de um ano como repórter, que a gente investisse no assunto. Eles toparam e eu comecei a percorrer a cidade atrás das meninas. Passei mais de um mês espiando as esquinas, as praças, as beiras de estradas, em Caxias e outras cidades vizinhas, como Farroupilha e Bento Gonçalves. Pegava um carro sem logotipo, parava, descia e me aproximava das adolescentes. Propunha um jogo aberto: me apresentava como repórter e pedia que elas me contassem suas histórias, garantindo que elas não seriam identificadas. Perdi a conta de quantas vezes voltei para a redação frustrada: era difícil encontrá-las porque elas mudavam de lugar frequentemente, ou então fugiam quando eu me aproximava, mentiam, dissimulavam.

Mas, como repórter sem persistência também é repórter sem pauta, insisti. Recorri ao Conselho Tutelar, à Delegacia para a Criança e ao Adolescente Vítimas, às clínicas de desintoxicação de drogas onde parte das meninas tentava deixar o vício que as acorrentava à prostituição. E valeu a pena. Ao final da apuração, consegui descobrir muito mais do que eu imaginava: que as meninas tinham uma íntima ligação com o crack, uma droga que em 2002 ainda era pouco popular no país, e que seus corpos alimentavam a rede de tráfico da região. Vigiadas por traficantes, entregavam a eles os trocados que ganhavam. Com ajuda de conselheiros tutelares, encontrei a família de uma menina que andava com uma plaquinha, vendendo seu corpo por R$ 1,99. A essa altura, a liquidação se revelou mera consequência de uma degradação mais profunda: aos 19 anos, a jovem já tinha seis filhos – um de cada cliente diferente – e todos contaminados pelo HIV, como ela.

Durante os cinco dias da série, as oito adolescentes retratadas tiveram seus nomes trocados. No último dia, expunha-mos o único nome real: era Viviana, que morreu aos 15 anos. Assassinada. O corpo foi encontrado em um matagal, somente com sutiã, apresentando sinais de espancamento a pauladas. Com o encadeamento das histórias, a série revelou que os corpos à mostra escondiam uma realidade bem mais complexa – que começava pela violência doméstica que as empurrava para fora de casa, passava pela dependência química e ameaçava suas próprias vidas.

Como minhas pernas tremiam, não consegui pensar nisso tudo enquanto me dirigia para receber o prêmio, mas nas horas e horas insones que passei tentando entender como eu havia vencido, cheguei a essa conclusão. Só pode ter sido esse desvelamento – alcançado com uma boa dose de obstinação – que os jurados reconheceram ao premiar a então estudante universitária. Um esforço para escancarar o que as pessoas viam – sem enxergar – entre as esquinas. No caminho até o palco, só consegui articular uma frase e falar ao microfone: “Acredito que o jornalismo tem uma função social muito importante, e estou muito feliz de ter contribuído com a minha reportagem.” Pensando bem, acho que ainda repetiria essa mesma frase hoje, quase oito anos depois.

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Agora chegou a hora da perguntinha cretina: e você, já sabe o que fará para revelar a sua cidade e o seu talento?

*Letícia Duarte (@leticiaduarte), 29 anos, repórter da editoria de Geral de Zero Hora, conquistou o prêmios como o Esso de Jornalismo (2002), o Prêmio Iberoamericano pelos Direitos da Infância e da Adolescência da Unicef (2005) e o Embratel (2007), além de integrar o livro 45 Reportagens que Fizeram História, publicado por Zero Hora em 2008.

Confira outro post de Letícia Duarte.

Jornalismo. Profissão de alto risco…

postado por Concurso CNN em 16 de abril de 2010

*Do jurado Heitor Reali

Para os outros. É isso mesmo. Não estou falando de profissões perigosas, como bombeiros, policiais, mergulhadores e tantas outras. Para estas, na qual se conhece o risco, me atrevo a dizer que o risco fica menor. Refiro-me àquelas que, a partir de um diagnóstico errado, joga você no beleléu ou daquela outra em que uma sentença mal interpretada leva um inocente para a cucuia. E a de maior risco: o jornalismo. Uma informação incorreta, parcial ou dita com incompetência, pode contribuir para o caos, o pânico, gerar intrigas. Pense bem. Até uma simples resenha, crítica de cinema ou teatro, comentário esportivo, ou mesmo a indicação de um lugar turístico mal elaborada, ou que não carrega a verdade, traz prejuízo de todo o tipo.

Ao jornalista de vocação a base está na busca da verdade. Nada lhe parece; ele define, apura as informações e explica. Ele não “acha”, informa. Pode até se posicionar, mas para isso precisa ter conhecimento. Tem o dever de pesquisar e estudar o assunto. Vou até falar um palavrão: perscrutar. Só vale escrever sobre o que se sabe, viu ou sentiu. É necessário viver para narrar. Podem falar o diabo, mas o new journalism não existe nem mesmo para aqueles a quem imputaram sua origem, os americanos Gay Talese e Lilian Ross. E pior: está virando modinha e gerando equívocos. Descarte. A diferença é que Ross e Talese grudaram no assunto e puderam fazer reportagens preciosas, com tal gama de informações que as fazem beirar a ficção. Mas ainda continua prevalecendo a expressão da realidade sobre a imaginação de quem escreveu. Esta deve estar voltada para a forma do que se diz. Deixe de lado outro clichê que está virando praxe nas reportagens, quando pouco apuradas, e que se encaixa na última frase de um filme de John Ford (“O Homem que Matou o Facínora”): quando a lenda tornou-se fato, publique a lenda. Fique esperto.

Não subjugue nunca a inteligência do leitor, do espectador. Esta regra é fundamental para uma boa reportagem. Vejo o jornalismo pela graça e criatividade no olho arguto do repórter, expressas com inteligência e alavancadas pela ética. Com boa dose de imparcialidade. Não seja “torcedor” de nada e de ninguém, pois a palavra é poderosa. Carlos Alberto di Franco escreveu: “não se fazem matérias direito porque a reportagem se tornou tática demais, confiando em emails, telefones e internet. Não é mais cara a cara”. No bastidor, uma das causas é o borderô apertado de revistas e jornais, e é caro sair à na rua, à cata de boas informações.

Pense duas vezes. Tem certeza de que quer ser jornalista? Não dou conselhos, mas posso dar sugestões que me serviram em minha carreira. Os primeiros passos de um repórter se dão pela leitura. Os textos inspiram. Procure ler o assunto que o interessa, mas dê uma olhada nos livros de George Orwell e Italo Calvino. Mas não deixe de ler “A Honra Perdida de Katarina Blum”, de Heinrich Boll. Assista a “A Embriaguez do Sucesso”, obra-prima de Alexander Mackendrick, que pode ser considerada o melhor filme sobre imprensa de todos os tempos. Outro que precisa ser visto é “A Montanha dos Sete Abutres”, de Billy Wilder. Isso sem contar os documentários produzidos pela jornalista Neide Duarte para a TV Cultura. Preste atenção em um deles: “Quase o Peso de um Passarinho”. Como exemplo de bom jornalismo também elejo o “Profissão Repórter”. E é claro que há muitos outros. Você vai descobrindo. Por fim: veja a beleza que brota até no que é mais árido, e não se limite apenas a registrar a tragédia dos excluídos ou de quem quer que seja. Mas não se esqueça: a linha divisória é escorregadia. Por isso, esta profissão maravilhosa é também a de maior risco.

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* Há quinze anos, Heitor trocou a engenhosidade pela criatividade do jornalismo. Compõe a equipe de revistas como Brasileiros, Almanaque Brasil, Planeta, Bons Fluidos, Continental Multicultural, entre outras, também edita cartilhas ambientais. Este ano, ele é um dos jurados do Concurso Universitário de Jornalismo CNN.

Um recado do editor sênior da CNN para América Latina

postado por Concurso CNN em 7 de abril de 2010

No Brasil para o lançamento da edição 2010 do Concurso Universitário de Jornalismo CNN, o editor sênior para a América Latina da CNN WorldWide gravou com exclusividade para o blog do concurso um recado para quem está pensando em participar.

Em seu discurso, o mexicano Rafael Romo lembrou que, no início de sua vida profissional no Arizona, participou de um concurso de jornalismo parecido. “Foi uma grande oportunidade”, disse.

Confira os 3 conselhos de Romo para você:


A cidade, as pautas e o repórter: treine seu olhar

postado por Concurso CNN em 6 de abril de 2010

Por *Letícia Duarte

Temos um colega na redação de Zero Hora que é considerado uma lenda. Não só porque ele é um dos repórteres mais premiados do Sul do Brasil, com mais de 30 prêmios de Jornalismo, ou porque usa suspensórios – embora essas duas características deem uma boa amostra da personalidade única de Carlos Wagner. Mas também porque, do alto de suas quase três décadas de jornalismo, ele continua sendo um dos repórteres mais entusiasmados pela profissão que já empunhou um bloco – tanto que, enquanto a maioria dos jovens colegas chega esfregando os olhos de manhã, a lenda de cabelos brancos costuma avançar pela Editoria de Geral com sua inseparável mateira** a tiracolo antes das 8h e gritar bem alto: “ah, como eu amo esta m…”(piii)!

Lembrei dele quando soube do tema deste ano do concurso universitáro CNN: Minha Cidade, Minha Vida, uma Atitude, já que é do Wagner uma das melhores frases que já ouvi a respeito dessa relação umbilical do jornalismo com o seu entorno – a rua, a cidade, o Estado.

- Jornalista, as faculdades formam. Repórter, tu te formas na estrada – ensina.

Nesta época em que o jornalismo está cada vez mais instantâneo e asséptico, telefônico e internético, um dos maiores riscos que nossa profissão corre é justamente tirar o pé da rua. É perfeitamente possível apurar uma matéria inteira por telefone, pesquisar no Google informações complementares, entrevistar dois ou três especialistas no assunto e fechar a pauta sem dramas. Só que o perfeitamente possível quase nunca é o suficiente – e o suficiente quase sempre beira a mediocridade. A alma da reportagem não pode ser apreendida pela linha telefônica. Ela vive no Olho da Rua, como bem define o título do indispensável livro de Eliane Brum – outro exemplo de devoção à reportagem e uma das juradas deste concurso (se você ainda não leu o livro, se mexe!).

E, para quem deseja realmente cruzar a linha que define um repórter, é preciso é aprender a treinar o olhar. As pautas estão à espreita em todos os cantos, mas para enxergá-las é preciso desvelar o óbvio – tomar aquela atitude a que o tema deste concurso se refere. A grande matéria pode estar naquele menino que dorme na rua da sua casa, naquela gente que madruga na fila dos postos de saúde, na sofreguidão dos congestionamentos do trânsito, dentro de uma sala de aula. Repórteres são contadores de histórias. É preciso ter sensibilidade para encontrá-las. E para contá-las de um jeito que ninguém fez. É o que a gente chama de “sacada”. Como transformar um problema social em uma pauta? É necessário pensar uma forma diferente de abordá-lo, de uma maneira que se torne útil à sociedade. Que revele além do que todo mundo vê.

Um bom começo é aguçar o olhar ao andar pelas ruas. Observe aqueles personagens anônimos que circulam no seu entorno – pessoas são labirintos, por trás delas sempre há histórias a desvendar. Fique atento a movimentações estranhas. Desconfie de tudo e de todos, sempre. Questione discursos prontos, quem fala bonito demais ou promete mágicas geralmente tem algo a esconder. Troque seu caminho rotineiro de vez em quando, ande por ruas diferentes, ou tente buscar ângulos inusitados ao transitar pelos lugares conhecidos. Troque o carro pelo ônibus ou pelo metrô alguns dias da semana. Sinta a energia que pulsa das esquinas. Converse com pessoas que não fazem parte do seu círculo social. Um desconhecido pode revelar uma história surpreendente, ou dar a pista para você chegar até ela. Aprenda a escutar as lições das ruas, em vez de tentar enquadar os fatos em pré-conceitos.

Não existem fórmulas prontas, só perspicácia, sensibilidade e inquietude. A única certeza é que, para descobrir a cidade, é preciso sujar os pés no barro. Encharcar-se de realidade. E assim um repórter vai nascendo: gestado pelos temas que se propõe a confrontar. A cada nova reportagem, um novo parto.

* Letícia Duarte (@leticiaduarte), 29 anos, repórter da editoria de Geral de Zero Hora, conquistou o prêmios como o Esso de Jornalismo (2002), o Prêmio Iberoamericano pelos Direitos da Infância e da Adolescência da Unicef (2005) e o Embratel (2007), além de integrar o livro 45 Reportagens que Fizeram História, publicado por Zero Hora em 2008.

**pra quem não sabe o que é mateira, é aquela espécie de bolsa para carregar a cuia de chimarrão, o mate e a garrafa térmica, popular no Rio Grande do Sul.

Manual dos Focas: como aproveitar a faculdade além da sala de aula

postado por Concurso CNN em 26 de março de 2010

João Porto*

Se você quer ser jornalista, nada melhor que estudar jornalismo para começar. Entretanto, a sala de aula não é o único ambiente que podemos aprender os trejeitos da profissão. Atividades fora da sala de aula são importantíssimas para a formação de um jornalista.

Palestras e cursos fora da universidade são importantes formas de absorver experiências de profissionais mais tarimbados e também fazer contatos para o futuro. Criar projetos experimentais também são interessantes. Lembro-me que nos primeiros semestres eu e outros membros do Manual dos Focas criamos um programa de rádio para a faculdade – chamava-se Chá da Tarde – tinhámos seis horas na semana para elaborar e produzir conteúdo. O programa era divertido, as vezes até mais divertido do que informativo, e serviu para começarmos a aprender que um jornalista precisa de organização para sobreviver.

Os estágios também são importantíssimos para a formação de jovens jornalistas. São através dos estágios que os estudantes começam a absorver a realidade do que eles vão enfrentar no futuro. O estágio também é interessante para você começar a traçar metas profisisonais e descobrir o que você gosta de trabalhar no amplo mercado de comunicação.

Participar de concursos também pode ser um ótimo aprendizado para a carreira. Aqueles que conseguem boas colocações em concursos promovidos por empresas de comunicação, como a CNN, podem muito bem colocar isso no currículo e aumentar suas referências. Quando estamos formados a busca são pelos prêmios, e às vezes, por processos (risos).

Durante minha estadia na Universidade explorei bastante as ações fora da sala de aula. Participei de várias palestras, inclusive de outros cursos, e tentei conhecer o máximo de pessoas possíveis para criar laços com futuras fontes. Acredito que para ser um bom jornalista é preciso sempre estar em busca de mais informação.

Informação é a principal ferramenta do jornalista, por isso, sempre deve-se buscar por novos conhecimentos.

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*Editor do site Manual dos Focas que é direcionado a estudantes de jornalismo. João é um jovem reporter esportivo que atua em um jornal de Brasília.

‘Minha vitória abriu portas para mim’, diz ganhador de 2009

postado por Concurso CNN em 23 de março de 2010

Texto de Marcos César Oliveira*

Conheci o Concurso Universitário de Jornalismo da CNN através de um cartaz colocado na universidade. No começo, parecia apenas um sonho impossível ganhar. Eu ainda era iniciante na faculdade, sentia que sabia tão pouco e com certeza a concorrência seria muito mais preparada. Mesmo assim, me encantei com a possiblidade de participar, de me arriscar na competição para conhecer o concurso e, se conseguisse me destacar, adicionar um diferencial ao meu currículo.
Mobilizei amigos que se entusiasmaram comigo, contribuiram com seu talento, conhecimento e paciência. Dedico a eles um enorme OBRIGADO DO FUNDO DO MEU CORAÇÃO: Marinaldo Matos (da Kadosh Produções, que meu doou equipamento e edição), Prof. Gilson Monteiro (meu orientador), Leonardo Costa (cinegrafista e amigo) e Eduardo Hübner (Mago da edição).
A notícia
Recebi com surpresa e felicidade a notícia de que havia sido classificado para a final. Ser escolhido por um juri de alto nível profissional já significou uma vitória imensa para quem só queria participar para saber como era o concurso. Ao ser convidado para ir a São Paulo, mais um passo além do que eu pensei. Conhecer os outros finalistas foi um momento especial: trocar idéias e impressões com estudantes como eu, apaixonados pelo jornalismo e cheios de surpresa e alegria por estarem na final. Ganhar o prêmio máximo foi um sonho realizado, e um passo gigantesco para um estudante comum, do norte do Brasil, de origem humilde e com tanto ainda por aprender sobre jornalismo.

E depois?

Minha vitória abriu portas para mim (foi a jóia que reluziu em meu currículo e garantiu o emprego que tenho hoje). Colocou meu nome em evidência no cenário do jornalismo local. Dei entrevistas para todos os meios de comunicação da minha cidade. Fui parabenizado por jornalistas no alto da carreira que confessaram ter o sonho de conhecer a CNN.

Despertou o interesse de centenas de estudantes que passaram a ver com outros olhos o curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Trouxe novo alento aos professores do Departamento de Comunicação da UFAM, que se sentiram felizes e premiados na pessoa do Prof. Gilson Monteiro. Enfim, mudou para melhor a minha trajetória profissional e trouxe muita alegria e orgulho aos meus amigos, colegas de curso, minha Universidade e a minha cidade, Manaus.
Laboratório real time
Este ano quero me dedicar a ajudar outros estudantes das diversas faculdade de Manaus que têm curso de jornalismo, para que nosso talento e nossas notícias possam ganhar repercussão e sejamos vistos pelo Brasil. O Concurso Universitário de Jornalismo da CNN é um concurso sério, e uma oportunidade de aprendizado impar. Conhecer a CNN foi um laboratório de jornalismo em “real time” que expandiu minhas percepções acerca de jornalismo, notícia e papel social da imprensa.

Aprendi muito, conversando com profissionais do primeiro time do jornalismo, em uma emissora que cria os padrões que serão adotados na imprensa televisiva mundial. Ganhar o Concurso da CNN foi para mim a prova definitiva de que o talento e a persistência podem conquistar grandes coisas e nos levar além daquilo que sonhamos.


Em todo estudante que acreditar no próprio talento e produzir sua reportagem para o Concurso da CNN 2010 já está plantada a semente do sucesso e da vitória.
Boa sorte a todos os participantes!

A reportagem

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Estudante da Universidade Federal do Amazonas, vencedor do Concurso Universitário CNN 2009, escreveu sobre tudo que aconteceu em sua carreira depois do prêmio.

A formação humanística do jornalista

postado por Concurso CNN em 2 de junho de 2009

Hoje temos mais um post de um convidado, desta vez, do Professor e Coordenador do curso de Comunicação Social – Unipac/Lafaiete, Darlan Santos.

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“Bons tempos aqueles em que jogador de futebol era analfabeto e jornalista, alfabetizado”

A frase, publicada no célebre jornal “O Pasquim”, afora a duvidosa relação entre bom futebol e analfabetismo, leva-nos a uma reflexão essencial: é preciso investir na formação humanística dos estudantes de jornalismo.
A crescente valorização da técnica, em detrimento da discussão embasada, do incentivo à leitura e da prática da escrita, tem trazido sérias conseqüências aos aspirantes à carreira jornalística. O que se observa nas faculdades de comunicação, de maneira geral, é a falta de profundidade intelectual e de capacidade analítica dos estudantes; deficiências que se revelam em textos empobrecidos e no tratamento simplório das notícias, o que, definitivamente, não contribui para o aprimoramento da imprensa brasileira.
Certamente, a modernização dos cursos, a inclusão digital e a ênfase em novas mídias tornam-se essenciais em nossos dias. Entretanto, por mais avançados que sejam os recursos midiáticos, eles não se sustentam isoladamente; precisam ser providos com um discurso consistente. E é aí que entra em cena a formação humanística do jornalista.
Assim como a especialização, a familiarização com os mais avançados recursos tecnológicos e a capacidade de transitar entre as diversas mídias disponíveis no mercado da informação, o jornalista deve adotar, como palavras de ordem, a inquietação, o senso crítico e o embasamento intelectual.
Enfim, a diferença entre um ‘menino de recados’ e o bom jornalista é que o primeiro leva uma mensagem ao seu destinatário, sem questioná-la. Já a diferença entre um ‘menino de recados’ e o mau jornalista, simplesmente não há… Tendo em mente essa distinção – simplista, sem dúvida, mas útil à discussão – jovens que ingressam em uma faculdade de jornalismo devem estar atentos aos caminhos que pretendem trilhar – definindo, assim, em qual das duas situações pretendem se encaixar

Entrevista com Jurado: Tiago Dória

postado por Concurso CNN em 21 de maio de 2009

Entrevistamos o jurado da comissão de triagem do Concurso Universitário de Jornalismo CNN, Tiago Dória sobre a sua carreira, expectativa com as matérias do concurso e a relação entre tecnologia e desenvolvimento social.