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A tecnologia mudou o jornalista? – Jamille de Mello

postado por Concurso CNN em 12 de maio de 2009

O tema continua e, enquanto não publicamos o próximo tema aqui vai mais um texto com um ponto de vista da blogueira Jamille de Mello sobre a pergunta: “A tecnologia mudou o jornalista?”.

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Para ser um bom escritor você não precisa de tecnologia, não precisa que ela esteja presente, e muito menos ela fará falta na hora de escrever. Escrever não necessita de inovações tecnológicas, aparelhos aprimorados e infinitas coisas até então utilizadas, escrever é uma relação feita entre você e sua mente, inspiração, entre você e sua vida. Para escrever não necessitamos das máquinas e sim das ideias. Independente do que a tecnologia guarda para o jornalista, não se pode dizer que ele sobrevive apenas por sua causa, mas convenha-se que ela contribuiu para o crescimento da profissão. Expor o jornalista a ambientes públicos nunca foi tão fácil como hoje em dia. Não precisamos mais nos reunir em determinados eventos perante as praças públicas para se saber o que acontece, basta ligarmos a TV ou até mesmo o rádio, sincronizarmos e ‘pan’ parecendo até mágica lá está a realidade, a mesma ao vivo e a cores sem que você se quer saia de sua própria casa. A tecnologia não trouxe ao jornalista uma transformação total, mas sim uma contribuição melhorando a vida do mesmo com relação ao telespectador.

A opinião de Clara Vanali – A tecnologia mudou o jornalista?

postado por Concurso CNN em 5 de maio de 2009

Nesse domingo (3/5/2009), em entrevista exclusiva ao jornal O Estado de São Paulo, Gay Talese, mestre do jornalismo literário, disse a seguinte frase quando questionado sobre as novas tecnologias: “Trabalho basicamente como há 50 anos. (…) Saio com uma caneta o tempo todo, anoto umas coisas. Quando termino a apuração, ainda uso a máquina de escrever”.
Gay Talese é o autor do perfil mais famoso da imprensa americana: Frank Sinatra está Resfriado, publicado na revista Esquire, de 1966. O jornalista é referência para qualquer profissional da área pela riqueza da sua apuração e preocupação com a fidelidade com os fatos. Ler que o escritor ainda usa máquina de escrever é estar convicto de que para ele, a tecnologia não tem lá muita importância. Mas afinal, a tecnologia mudou o jornalista?
A tecnologia definitivamente veio para auxiliar o jornalista. E talvez até por isso, gerar mais trabalho. É difícil imaginar hoje, um jornalista do tempo da web 2.0 (ou 3.0), com três matérias para fechar, preferir digitar nas barulhentas máquinas de escrever, borrando as mãos e torcendo para terminar o texto sem muitos erros. Com o computador, o profissional conseguiu elaborar os seus textos com mais facilidade e como conseqüência ter tempo de realizar mais tarefas.
A internet também veio para facilitar a vida deste profissional. No entanto é inegável dizer que ela o deixou mais preguiçoso. Suas ferramentas, como o Google, deveriam apenas somar na apuração e não substituir. Checar a informação, consultar as fontes e trabalhar com ética são princípios que não podem ser deixados de lado na era da tecnologia.
Outro ponto importante de se discutir é a do novo profissional que surgiu após o auge da tecnologia: o jornalista multimídia – aquele que escreve para um jornal, grava reportagens em vídeo, edita, posta na rede e divulga para sites e redes sociais. Afinal, é essencial que os jornalistas saibam fazer tudo isso? Quem tiver habilidade para tal, é essencial fazê-lo, já que esta é uma oportunidade de veicular a informação em diferentes formatos e disponibilizá-la para mais pessoas. Nós não temos que temer a tecnologia, ela foi incorporada a nossa profissão e o melhor a fazer, é usufruirmos ao máximo o que ela pode nos oferecer.
E quanto ao Gay Talese, citado no começo deste texto? É difícil para nós, jovens jornalistas, trabalharmos em uma máquina de escrever, mas é compreensível que Talese não acredite que as ferramentas tecnológicas influenciem na qualidade do seu trabalho. Afinal, como já dito nesse texto, a tecnologia veio para auxiliar; e não para mudar a informação. Esta, mesmo com a internet, não deixará jamais de ser apurada como sempre foi: por meio de pesquisas, conversas com fontes e muitas checagens.


Clara Vanali é jornalista e foi a vencedora do Concurso Universitário de Jornalismo CNN em 2008.

Cecilia Arbolave nos conta se a tecnologia mudou o jornalista

postado por Concurso CNN em 29 de abril de 2009

Cecilia é argentina, formada em jornalismo, tem 23 anos de idade e trabalha na Editora Abril.

Nós fizemos a ela a mesma pergunta que temos debatido nos últimos dias: A tecnologia mudou o jornalista? E recebemos a sua resposta. Confira abaixo:

“Difícil identificar uma mudança no Ser jornalista quando minha vida profissional começou já inserida no mundo tecnológico. Mas como é um mundo cuja velocidade de mudança cresce a um nível exponencial, a cada hora tem uma coisa nova para aprender. A instantaneidade e rapidez destas inovações é tão alta, que exige uma atualização e formação constante.

Mas até para minha geração, que domina com mais facilidade o mundo digital, fica difícil acompanhar. Faça um teste: entre neste site e veja quantas aplicações e ferramentas da Web 2.0 você conhece. Tenho certeza que vai descobrir muitas que você ignorava. E isso porque até para jornalistas que, por natureza estão sempre antenados, o bombardeio de informação é muito grande.

A tarefa mais difícil atualmente é poder absorver a quantidade de informação que circula na internet. Recebemos tanta coisa, o tempo todo e nos mais variados formatos -matérias de portais, vídeos noYouTube, posts em blogs ou até microblogs , discussões em comunidades, entre outras – que é quase impossível saber discriminar a informação. Como identificar a relevância dela? Alguém sabe?

A essência do jornalismo não mudou. Foi o método que sofreu alterações. No meu caso, nos últimos anos incorporei hábitos tecnológicos dos que dificilmente posso me livrar. Um exemplo, o Google Docs. É uma aplicação que permite editar e compartilhar textos online. Poder trabalhar a quatro ou seis mãos num texto, evitando o ida e volta de milhares de arquivos por email, otimizou parte do meu dia-a-dia.

E, ainda falando dos métodos, podemos citar alguns exemplos simples, até óbvios, da apuração. Sair para fazer uma entrevista sem pesquisar no Google a vida do entrevistado, nem pensar. As redes sociais, como Orkut ou Facebook, hoje servem para pesquisa de fontes. Twitter, YouTube, Flickr, todos eles podem ser úteis. Saber incorporar as inovações tem que ser uma tarefa cotidiana. Sem medo de tornarmos digitais demais, devemos descobrir como podem nos ajudar na nossa profissão.”

Abraços,
Marcelo

A tecnologia mudou o jornalista? O ponto de vista de Cristina Dantas

postado por Concurso CNN em 28 de abril de 2009

Hoje apresentamos o ponto de vista de Cristina Dantas, redatora chefe da revista Casa Claudia Luxo, Editora Abril.

“De celulares e sereias

Um celular é tudo o que alguém precisa para se tornar um jornalista. O acidente acontece, o celular registra, transmite e, em segundos, as imagens estão na internet. Fácil, não? Não. Os meios mudaram, as novas ferramentas, como o skype, se tornaram imprescindíveis. Mas um celular, pensando bem, não faz de ninguém um jornalista.

Estudei com mimeógrafo, usei folhas de papel carbono, telex, past-ups, máquinas de escrever e laudas – papeis de péssima qualidade que me causavam alergias chatinhas (perguntem aos seus tios e avós jornalistas, eles saberão o que é tudo isso).

Um dia os computadores chegaram à redação, mais ou menos quando as máquinas fotográficas digitais também fizeram sua estreia. O tempo encurtou, um furo se sustenta por dois segundos antes de ser furado. Já um bom texto, uma matéria bem apurada, com entrevista cara-a-cara ainda pode durar anos, reverberar ao longo do tempo enquanto você se lança em novas jornadas. Uma pauta pode ser explorada de mil maneiras e o bom jornalista sempre descobre a forma mais interessante de cercar um assunto. Um furo sempre será o sonho de qualquer veículo. Uma reportagem bem feita, sob um viés não muito convencional ou mesmo instigante, é um presente para quem lê e para quem escreve. Ainda.

A tecnologia é a realidade que faz todo sentido. Mesmo assim estranhamos quando um idoso se desembaraça com agilidade diante de um caixa eletrônico. A discussão se estende a qualquer setor da vida profissional e doméstica, quase sempre sem que uma conclusão seja requisitada. Quem leu o caderno do New York Times publicado pela Folha de São Paulo em 27 de abril deve ter reparado no ensaio de Matt Ritchel, que transporta a questão da tecnologia para a literatura quando a cobertura wirelles está por toda parte. Ele imagina a cena: “Aqui é Ulisses; alguém pode ver o caminho para Ítaca? Use a rota ‘sem sereias’”.

E você leitor ou leitora deste blog, o que pensa? Apresente a sua opinião para a gente. O debate está aberto.

Abs
Marcelo

Manoel Fernandes dá a sua opinião: a tecnologia mudou o jornalista?

postado por Concurso CNN em 27 de abril de 2009

Convidamos o jornalista Manoel Fernandes, publisher da W3 Editora / Revista Bites, e um dos jurados da Comissão de Triagem do Concurso, a compartilhar a sua opinião conosco. Leia o seu ponto de vista abaixo:

“As mídias sociais não chegaram para acabar com os princípios do bom jornalismo. Apuração, precisão, investigação, contexto e compromisso com a verdade continuarão sendo necessários para informar leitores de jornais, revistas, ouvintes de rádios e telespectadores de TV. As mudanças, essas sim de grande profundidade, ocorrem de maneira irreversível nos veículos que transmitem as notícias para as pessoas que podem acessá-las de qualquer lugar e das mais variadas maneiras. Os jornalistas não estão fora do jogo da web 2.0. Para tudo existe o antes e o depois. O que os ícones contemporâneos do jornalismo precisam entender que vivemos o depois. Uma época na qual as pessoas, na forma de leitores ou consumidores, querem trocar idéias, influenciar conteúdos e discutir linhas editorais. E quantas empresas de comunicação ou de mídia estão preparadas para enfrentar esse desafio. Hoje poucas companhias desse setor conseguem perceber que a mudança é irreversível e não há como lutar contra ela. O melhor seria entender a nova lógica de produção de conteúdo e definir estratégias de conversação com esses produtores, que em alguns casos podem ser tão bons quanto jornalistas formados em boas universidades ou com longa experiência profissional. Os dois mundos não são excludentes. Eles precisam ser complementares”.

E aí, você concorda ou discorda? Deixe aqui a sua opinião.

A tecnologia mudou o jornalista? – 2 pontos de vista

postado por Concurso CNN em 17 de abril de 2009

Ontem eu (Daniel Sollero) estava conversando com a MaWá sobre o que a tecnologia causou no jornalismo. Em determinado momento, eu falei que achava que a tecnologia havia mudado não só o jornalismo mas também o jornalista. Ela discordou e o seu ponto de vista você pode ver nesse post logo depois do meu.

Essa é uma idéia que vamos tentar explorar por aqui. Usaremos uma pergunta e pediremos a opinião de duas pessoas a respeito.

A minha opinião é a seguinte:

Eu acredito que o jornalista mudou sim com a tecnologia simplesmente por uma razão: qualquer um pode ser um jornalista hoje.
Antes das faculdades de jornalismo existirem no país, grande parte dos jornais contratava pessoas que gostavam de escrever, que eram curiosas ou que gostavam de estar próximas de seus temas de interesse e serem remuneradas por isso. Acredito que essas características básicas do jornalista não mudaram. Mas hoje essa maioria que estava nas redações mas que não tinha um diploma de jornalista, se tornou a minoria. Com a democratização da publicação proporcionada pela tecnologia, o jornalismo-cidadão, o tal “We The Media”, voltou a ter um papel de destaque. E com ele, os jornalistas mais apaixonados, menos desiludidos com o mercado voltaram a aparecer em blogs, twitter, You Tube, iReport com sua opinião sem filtros (ou com menos filtros).
Uma nova consciência da função do jornalista já começa a aparecer nos jornalistas-cidadãos e isso vai continuar gerando debates no mercado (blogueiros vs. jornalistas) e denúncias que saem antes nas redes sociais do que na grande mídia.
Para fechar eu acredito que, em um mundo em que a tecnologia permitiu que qualquer um possa ser um jornalista, o conceito de jornalista muda, assim como a sua maneira de ver o mundo. É aquela história, se todo mundo pode fazer a mesma coisa, as regras também mudam para se adequar a essa realidade.

O membro da comissão de triagem deste ano, Tiago Dória, escreveu um post chamado “Jornalismo cidadão não existe” em que o termo jornalismo cidadão é questionado por um blogueiro espanhol. Leia mais esse ponto de vista e forme a sua opinião. Como diria o Timothy Leary: “Pense por você mesmo. Questione a autoridade”.

Agora vejam a opinião da MaWá:

O jornalista mudou por causa da tecnologia?
O mundo mudou por causa da tecnologia. As ferramentas são correntemente substituídas, as informações voam rapidamente e contra os limites do que antes era considerado humano. Um tetraplégico não precisa mais de alguém empurrando a sua cadeira, ele mesmo o faz. Mas, se pararmos para pensar nesse caso, a cadeira não anda sem o cadeirante. Ela precisa de uma pessoa em cima que a comande e a direcione. Uma pessoa que até então vivenciou um mundo sem locomoção, mas que provavelmente já andou por aí. A cadeira, portanto, só a deixa mais veloz. No caso do jornalista é a mesma coisa. Enxergo-o como alguém cuja essência não mudou com a tecnologia. O trabalho de pesquisa, texto, qualificação de conteúdo, mobilização, preocupação com a ética, isso não mudou. A máquina não trabalha sozinha, ainda. Um bom jornalista é aquele que consegue aliar todas as suas habilidades ao empurrão tecnológico, bem como saber usar as novas ferramentas ao seu favor.

O jornalismo mudou com a tecnologia. O jornalista, não.

Agora é a sua vez de parar e pensar. A tecnologia mudou o jornalista? Dê seu ponto de vista nos comentários.