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A importância de ser vizinho

postado por Concurso CNN em 4 de junho de 2010

A revista Good Magazine é um exemplo de veículo com boas pautas. Sempre há matérias interessantes nas suas páginas, especialmente no que diz respeito a atitudes que ajudam a mudar o mundo. Não por acaso, seu slogan é “Para pessoas que se importam”. Na edição mais recente, o tema escolhido foi vizinhança, um assunto de extrema importância para qualquer cidade, mas que nem sempre é discutido.

No editorial da revista, uma frase chama bastante atenção: “It seems that while we were becoming citizens of the world, we forgot to be citizens of where we live” (“Parece que, ao nos tornarmos cidadãos do mundo, esquecemos de ser cidadãos de onde vivemos”). Está aí um tema que estimula várias reflexões, por tratar de algo que não nos damos conta no dia a dia. Estamos cada vez mais conectados a pessoas ao redor do planeta, graças aos avanços tecnológicos. Mas e a nossa cidade? Será que nos “conectamos” com ela, com suas pessoas e lugares? Será que exercemos nosso papel de vizinhos, auxiliando a transformar nosso município em um local melhor?

A revista mostra exemplos de iniciativas que deram certo, da criação de espaços para lazer infantil à importância de placas de trânsito claras, passando pela implantação de clubes de vizinhos e incentivos para programas locais de TV. As possibilidades são muitas, desde que haja engajamento dos moradores e dos governantes em botar projetos legais em prática, e as situações descritas na edição mostram que mudar é possível. E que ser vizinho é muito mais do que apenas dividir o elevador com quem mora ao lado.

Leia essas e outras histórias de sucesso no site da revista.

Rede de Cidades interagem na web

postado por Concurso CNN em 14 de abril de 2010

A participação do cidadão na resolução dos problemas internos dos seus municípios marca presença também nas redes sociais. Com a intenção de reunir mais pessoas focadas neste mesmo objetivo, foram criadas redes de interação virtual para aproximar a sociedade de seus governos.

Uma das pioneiras no Brasil é a Rede Social Brasileira por Cidades, existente no Ning. Os internautas trocam ideias e iniciativas visando ao desenvolvimento justo e sustentável de suas cidades. Lançada em 2008, na cidade de Belo Horizonte, a rede é composta por organizações apartidárias de diversas cidades do Brasil e está aberta a novas adesões.

O principal objetivo é trocar informações e conhecimentos entre os integrantes para promover o aprendizado mútuo, o apoio e o fortalecimento de cada experiência local.

Um dos diferenciais é que a rede não tem dirigentes, são apenas pessoas encarregadas e escolhidas de comum acordo para realizar determinadas atividades e articular a tomada de decisões, sempre em consenso.

Para conhecer a inicitiva acesse: http://rededecidades.ning.com/

Por Clara Vanali*

Há algumas decisões que mudam para sempre o rumo de nossas vidas. Alguns chamam isso de efeito borboleta, outros de destino e os mais descrentes de simples acasos. Em 2008, recebi o anúncio do Concurso Universitário de Jornalismo CNN na minha caixa de e-mail. Estava no último ano de faculdade, preocupada e ocupada com o TCC (Trabalho de Graduação Interdisciplinar) que deveria entregar no final daquele ano. No entanto, ao ver que o tema do concurso era socialização através da arte, lembrei-me rapidamente de um projeto que um amigo tinha comentado comigo há um tempo, em que pessoas construíam instrumentos de maracatu e aprendiam a tocá-los depois.

Decidi ir até o local, uma escola pública, onde acontecia o tal projeto. Cheguei sem câmera, sem papel ou caneta. Apenas curiosa. Sentei-me na arquibancada da quadra e esperei até a apresentação começar. Um som forte saiu do tambor, tornou-se harmônico e se repetiu ainda melhor pelas mãos de centenas de pessoas que tocavam juntas. Eu nunca assistira a algo tão marcante em toda a minha vida. Percebi ali algo tão verdadeiro que de alguma forma eu tinha que contar aquela história para as pessoas, para o mundo. As incertezas sempre vão nos questionar, mas uma lição que aprendi naquele dia é que quando sentimos algo diferente e muito intenso, significa que temos que agir. Voltei dias depois com uma equipe, registrei tudo com uma câmera e o resto da história vocês já conhecem.

O Concurso de Jornalismo Universitário CNN me fez melhor. Participar me fez acreditar ainda mais no jornalismo que eu sempre quis fazer. Mais do que um trabalho, ele é hoje minha vida e para onde eu direciono o meu tempo e as minhas energias. Profissionalmente, a vitória abriu oportunidades de emprego e de envolvimento em projetos jornalísticos que me ensinaram a conhecer ainda mais o nosso mundo de gerador de conteúdo, de debate e aprendizado. Conheci a sede internacional da emissora e estabeleci contatos que mantenho até hoje e pretendo levar por todo o meu caminho. O prêmio me ajudou a ser aprovada no Curso Abril de Jornalismo e me possibilitou uma vaga de repórter na Editora Abril, em São Paulo, onde trabalho hoje com a intenção de conhecer e divulgar histórias ainda mais marcantes como aquela do maracatu.

Um concurso como esse, destinado aos estudantes, faz com que esses sintam ainda mais preparados e com vontade de seguir a profissão que torna público tudo o que o que uma sociedade precisa saber para se transformar todos os dias. Este ano, o tema “Minha Cidade, Minha Vida, Uma Atitude” permite uma experiência ilimitada para os participantes, que podem navegar por assuntos como sustentabilidade, sociabilização, educação, cidadania e tantos outros. É hora de abrir os olhos, de prestar atenção em atitudes que saem do senso comum, que engajam projetos e pessoas em torno de uma mesma intenção: fazer da cidade uma lugar melhor para se viver. Essas ações estão a sua espera para que você, jornalista, as divulgue pelo mundo. Não há outros compromissos que o impeçam de fazer, só depende da sua vontade. Procure novidades e lembre-se de que quando sentir aquele algo a mais, registre. Pegue a câmera e siga em frente. Você já estará participando.

*Clara Vanali, vencedora do Concurso Universitário da CNN de 2008, é jornalista da Editora Abril, em São Paulo, e escreve crônicas em seu blog (www.claravanali.com.br).

Clique e confira a reportagem vencedora de Clara.

A cidade, as pautas e o repórter: treine seu olhar

postado por Concurso CNN em 6 de abril de 2010

Por *Letícia Duarte

Temos um colega na redação de Zero Hora que é considerado uma lenda. Não só porque ele é um dos repórteres mais premiados do Sul do Brasil, com mais de 30 prêmios de Jornalismo, ou porque usa suspensórios – embora essas duas características deem uma boa amostra da personalidade única de Carlos Wagner. Mas também porque, do alto de suas quase três décadas de jornalismo, ele continua sendo um dos repórteres mais entusiasmados pela profissão que já empunhou um bloco – tanto que, enquanto a maioria dos jovens colegas chega esfregando os olhos de manhã, a lenda de cabelos brancos costuma avançar pela Editoria de Geral com sua inseparável mateira** a tiracolo antes das 8h e gritar bem alto: “ah, como eu amo esta m…”(piii)!

Lembrei dele quando soube do tema deste ano do concurso universitáro CNN: Minha Cidade, Minha Vida, uma Atitude, já que é do Wagner uma das melhores frases que já ouvi a respeito dessa relação umbilical do jornalismo com o seu entorno – a rua, a cidade, o Estado.

- Jornalista, as faculdades formam. Repórter, tu te formas na estrada – ensina.

Nesta época em que o jornalismo está cada vez mais instantâneo e asséptico, telefônico e internético, um dos maiores riscos que nossa profissão corre é justamente tirar o pé da rua. É perfeitamente possível apurar uma matéria inteira por telefone, pesquisar no Google informações complementares, entrevistar dois ou três especialistas no assunto e fechar a pauta sem dramas. Só que o perfeitamente possível quase nunca é o suficiente – e o suficiente quase sempre beira a mediocridade. A alma da reportagem não pode ser apreendida pela linha telefônica. Ela vive no Olho da Rua, como bem define o título do indispensável livro de Eliane Brum – outro exemplo de devoção à reportagem e uma das juradas deste concurso (se você ainda não leu o livro, se mexe!).

E, para quem deseja realmente cruzar a linha que define um repórter, é preciso é aprender a treinar o olhar. As pautas estão à espreita em todos os cantos, mas para enxergá-las é preciso desvelar o óbvio – tomar aquela atitude a que o tema deste concurso se refere. A grande matéria pode estar naquele menino que dorme na rua da sua casa, naquela gente que madruga na fila dos postos de saúde, na sofreguidão dos congestionamentos do trânsito, dentro de uma sala de aula. Repórteres são contadores de histórias. É preciso ter sensibilidade para encontrá-las. E para contá-las de um jeito que ninguém fez. É o que a gente chama de “sacada”. Como transformar um problema social em uma pauta? É necessário pensar uma forma diferente de abordá-lo, de uma maneira que se torne útil à sociedade. Que revele além do que todo mundo vê.

Um bom começo é aguçar o olhar ao andar pelas ruas. Observe aqueles personagens anônimos que circulam no seu entorno – pessoas são labirintos, por trás delas sempre há histórias a desvendar. Fique atento a movimentações estranhas. Desconfie de tudo e de todos, sempre. Questione discursos prontos, quem fala bonito demais ou promete mágicas geralmente tem algo a esconder. Troque seu caminho rotineiro de vez em quando, ande por ruas diferentes, ou tente buscar ângulos inusitados ao transitar pelos lugares conhecidos. Troque o carro pelo ônibus ou pelo metrô alguns dias da semana. Sinta a energia que pulsa das esquinas. Converse com pessoas que não fazem parte do seu círculo social. Um desconhecido pode revelar uma história surpreendente, ou dar a pista para você chegar até ela. Aprenda a escutar as lições das ruas, em vez de tentar enquadar os fatos em pré-conceitos.

Não existem fórmulas prontas, só perspicácia, sensibilidade e inquietude. A única certeza é que, para descobrir a cidade, é preciso sujar os pés no barro. Encharcar-se de realidade. E assim um repórter vai nascendo: gestado pelos temas que se propõe a confrontar. A cada nova reportagem, um novo parto.

* Letícia Duarte (@leticiaduarte), 29 anos, repórter da editoria de Geral de Zero Hora, conquistou o prêmios como o Esso de Jornalismo (2002), o Prêmio Iberoamericano pelos Direitos da Infância e da Adolescência da Unicef (2005) e o Embratel (2007), além de integrar o livro 45 Reportagens que Fizeram História, publicado por Zero Hora em 2008.

**pra quem não sabe o que é mateira, é aquela espécie de bolsa para carregar a cuia de chimarrão, o mate e a garrafa térmica, popular no Rio Grande do Sul.

Meu DNA é digital

postado por Concurso CNN em 19 de março de 2010

Por Tiago Dória*

Sempre é difícil falar da própria carreira profissional. Nós, jornalistas, somos treinados a não ser protagonistas, a sempre sermos neutros e analisarmos os fatos com o olhar de uma pessoa de fora. Por isso que para muitos é difícil falar de si mesmo.

Para mim, não é diferente. Mas vou tentar contar a vocês dois momentos marcantes da minha carreira profissional, conforme a organização me pediu.

Já trabalhei com mídia impressa, rádio e TV (antes da MTV), mas o meu DNA é digital. Foi em torno do meu blog, que mantenho desde 2003, que construí a minha reputação na área de jornalismo.

Há 7 anos, sem interrupções, faço uma pesquisa diária sobre assuntos ligados às áreas de cultura digital, mídia e tecnologia. Hoje, é um dos principais blogs de mídia, lido por importantes profissionais das áreas de tecnologia e comunicação dentro e fora do Brasil.

Diariamente, escrevo, edito, faço vídeos, opino e analiso as informações e, principalmente, conheço pessoas interessantes e talentosas por meio dele.

Por isso, já que atualmente a minha carreira gravita em torno do blog, achei justo separar dois momentos marcantes que tive relacionados a ele:

O primeiro foi durante o Tsunami na Ásia, em 2004. Logo que as primeiras informações começaram a circular em fóruns de discussão, resolvei fazer um liveblogging da tragédia. Comecei a agregar as informações e a manter um fluxo constante sobre a tragédia, mais ou menos como hoje já é prática comum no jornalismo online.

Durante a cobertura, quando me dei conta, já estava em uma rede internacional de blogs que estavam relatando o Tsunami. A rede foi criada de forma orgânica, sem ninguém dar uma ordem, começamos a trocar informações e fazer links um para o outro. Meu blog foi linkado no verbete da Wikipedia a respeito da tragédia e logo recebeu milhares de visitas e comentários. Pessoas começaram a trocar dados sobre desaparecidos e locais para doar alimentos. Era o único blog em língua portuguesa que estava cobrindo a tragédia.

Eu já tinha essa noção, mas isso, de certa maneira, intensificou mais ainda a ideia sobre o quanto a internet pode ser uma importante fonte de informações para mobilizar e conectar pessoas ao redor de questões importantes. Percebi o quanto o meu trabalho, que começou de forma descompromissada, era importante.

O segundo momento marcante foi ter sido convidado para ser blogueiro oficial da Pop!Tech, que é uma das principais conferências sobre ciência e tecnologia do mundo. Chris Anderson, Robert Metcalfe e Malcolm Gladwell são algumas personalidades sempre presentes.

No caso, atuei como “bridge-blogger”, fazendo uma ponte entre o que era dito nas apresentações e o que estava acontecendo no Brasil. Para mim, foi um experiência muito enriquecedora. Não somente pelo blog ter sido citado no BoingBoing e na Wired, mas por fazer parte dessa comunidade de pensadores que é a Pop!Tech.

Aprendi duas coisas relacionadas à profissão com esses momentos.

Primeiro, no caso do Tsunami, levei a lição de que o jornalista não pode mais trabalhar como se estivesse numa ilha. Ele não usa a rede, ele está em rede. E é mais um nó nessa grande rede de comunicação mediada por computadores.

No caso da Pop!Tech, aprendi que, mais cedo ou tarde, o seu trabalho será reconhecido. Pode parecer que não, mas sempre tem alguém observando o seu trabalho e, às vezes, dos lugares onde você menos espera.

Enfim, sei que é meio difícil falar isso para quem é estudante, ou está começando na carreira, louco para fazer e acontecer. Mas, na área de jornalismo, muitas vezes, o mais importante não é conquistar tudo de uma vez, e sim buscar o equilíbrio, ir devagar, mas sempre e constante. Tenho certeza que, dessa maneira, as conquistas em sua carreira serão bem mais consistentes.

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* O jornalista Tiago Dória está entre os jurados do Concurso CNN deste ano.  Saiba mais sobre ele!

O jurado Eduardo Acquarone mandou um texto

postado por Concurso CNN em 15 de junho de 2009

Pedimos para o jurado da triagem, Eduardo Acquarone enviar um texto sobre o tema do Concurso deste ano e ele enviou um bem curto e eficiente. É bem pequeno, mas pense no impacto da tecnologia nos dois exemplos que ele deu. São exemplos reais e que acontecem aos montes no mundo. Se pensarmos que milhares de pessoas entram na internet pela primeira vez a cada dia, que outras milhares têm acesso a inovações tecnológicas que as permitem melhorar serviços, produtos em prol da sociedade tudo fica mais claro.

Segue o texto do Eduardo Acquarone:

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Hoje ouvi uma história muito interessante. Uma amiga passou o fim de semana no Rio e foi à Rocinha ajudar em um projeto social. Num boteco da favela ela conheceu um senhor — uns 60 anos mais ou menos — analfabeto. Agora ele está querendo aprender a ler e escrever. Pra quê? Pra entrar na Internet.

E vejam o que minha amiga me contou: “Enquanto conversávamos ele precisou fazer uma ligação. Para minha surpresa, ele fez a ligação via Skype.”

Quer melhor exemplo de tecnologia usada para desenvolvimento social?

Dando continuidade aos textos de convidados aqui no blog, dessa vez o texto é da blogueira e estudante de Estudante de Ciências da Computação – PUC-SP, Camila Leite.

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Agora a comunicação não se restringe ao seu bairro, ao local onde você trabalha ou estuda. Você pode trocar opiniões com pessoas de outro estado ou até mesmo outro país, dependendo dos idiomas que você domina. A criação de redes de relacionamento como o Twitter, ou até mesmo o MySpace que é mais usado para a divulgação de trabalhos no universo musical, apenas comprovam como as pessoas tem interesse em se comunicar com mais pessoas. A forma de como as pessoas reagem a essas redes é tão adepta que elas até mesmo as personalizam. O Twitter por exemplo, criado como um miniblog (quem nunca leu aquela frasezinha na parte de cima do site “What are you doing?”) agora é mais utilizado como um mecanismo de recados, ou até mesmo conversas. Essas transformações no mundo da comunicação permite que as indivíduos on-line possam visualizar idéias e conteúdo de usuários offline, por meio de seus blogs, fotologs e o mais recente popularizado Fa cebook.

Essa facilidade de deixar que suas idéias possam ser visualizadas e até mesmo comentadas nos remete ao aumento no número de blogs e popularização desses sites de relacionamento. Não precisamos aqui nem falar do Orkut, porque se há dois, três ou quatro anos atrás ele era tão popular quanto o próprio Twitter, hoje ter um perfil no orkut é tão normal quanto ter um número de telefone.

Todas essa mudança na comunicação é consequencia do avanço tecnológico em volta do globo, e se a comunicação se revoluciona, a forma de informação se revoluciona ainda mais. Se quando a invenção do jornal impresso alterou a natureza da cultura oral, agora com tantas fontes de informação (grande parte delas na própria internet) se tornou muito mais difícil elaborar um jornalismo objetivo e direto, mas também possibilita que o leitor tenha mais facilidade de compreender o mundo a sua volta.

A tecnologia mudou o jornalista? – Jamille de Mello

postado por Concurso CNN em 12 de maio de 2009

O tema continua e, enquanto não publicamos o próximo tema aqui vai mais um texto com um ponto de vista da blogueira Jamille de Mello sobre a pergunta: “A tecnologia mudou o jornalista?”.

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Para ser um bom escritor você não precisa de tecnologia, não precisa que ela esteja presente, e muito menos ela fará falta na hora de escrever. Escrever não necessita de inovações tecnológicas, aparelhos aprimorados e infinitas coisas até então utilizadas, escrever é uma relação feita entre você e sua mente, inspiração, entre você e sua vida. Para escrever não necessitamos das máquinas e sim das ideias. Independente do que a tecnologia guarda para o jornalista, não se pode dizer que ele sobrevive apenas por sua causa, mas convenha-se que ela contribuiu para o crescimento da profissão. Expor o jornalista a ambientes públicos nunca foi tão fácil como hoje em dia. Não precisamos mais nos reunir em determinados eventos perante as praças públicas para se saber o que acontece, basta ligarmos a TV ou até mesmo o rádio, sincronizarmos e ‘pan’ parecendo até mágica lá está a realidade, a mesma ao vivo e a cores sem que você se quer saia de sua própria casa. A tecnologia não trouxe ao jornalista uma transformação total, mas sim uma contribuição melhorando a vida do mesmo com relação ao telespectador.

A opinião de Clara Vanali – A tecnologia mudou o jornalista?

postado por Concurso CNN em 5 de maio de 2009

Nesse domingo (3/5/2009), em entrevista exclusiva ao jornal O Estado de São Paulo, Gay Talese, mestre do jornalismo literário, disse a seguinte frase quando questionado sobre as novas tecnologias: “Trabalho basicamente como há 50 anos. (…) Saio com uma caneta o tempo todo, anoto umas coisas. Quando termino a apuração, ainda uso a máquina de escrever”.
Gay Talese é o autor do perfil mais famoso da imprensa americana: Frank Sinatra está Resfriado, publicado na revista Esquire, de 1966. O jornalista é referência para qualquer profissional da área pela riqueza da sua apuração e preocupação com a fidelidade com os fatos. Ler que o escritor ainda usa máquina de escrever é estar convicto de que para ele, a tecnologia não tem lá muita importância. Mas afinal, a tecnologia mudou o jornalista?
A tecnologia definitivamente veio para auxiliar o jornalista. E talvez até por isso, gerar mais trabalho. É difícil imaginar hoje, um jornalista do tempo da web 2.0 (ou 3.0), com três matérias para fechar, preferir digitar nas barulhentas máquinas de escrever, borrando as mãos e torcendo para terminar o texto sem muitos erros. Com o computador, o profissional conseguiu elaborar os seus textos com mais facilidade e como conseqüência ter tempo de realizar mais tarefas.
A internet também veio para facilitar a vida deste profissional. No entanto é inegável dizer que ela o deixou mais preguiçoso. Suas ferramentas, como o Google, deveriam apenas somar na apuração e não substituir. Checar a informação, consultar as fontes e trabalhar com ética são princípios que não podem ser deixados de lado na era da tecnologia.
Outro ponto importante de se discutir é a do novo profissional que surgiu após o auge da tecnologia: o jornalista multimídia – aquele que escreve para um jornal, grava reportagens em vídeo, edita, posta na rede e divulga para sites e redes sociais. Afinal, é essencial que os jornalistas saibam fazer tudo isso? Quem tiver habilidade para tal, é essencial fazê-lo, já que esta é uma oportunidade de veicular a informação em diferentes formatos e disponibilizá-la para mais pessoas. Nós não temos que temer a tecnologia, ela foi incorporada a nossa profissão e o melhor a fazer, é usufruirmos ao máximo o que ela pode nos oferecer.
E quanto ao Gay Talese, citado no começo deste texto? É difícil para nós, jovens jornalistas, trabalharmos em uma máquina de escrever, mas é compreensível que Talese não acredite que as ferramentas tecnológicas influenciem na qualidade do seu trabalho. Afinal, como já dito nesse texto, a tecnologia veio para auxiliar; e não para mudar a informação. Esta, mesmo com a internet, não deixará jamais de ser apurada como sempre foi: por meio de pesquisas, conversas com fontes e muitas checagens.


Clara Vanali é jornalista e foi a vencedora do Concurso Universitário de Jornalismo CNN em 2008.

Cecilia Arbolave nos conta se a tecnologia mudou o jornalista

postado por Concurso CNN em 29 de abril de 2009

Cecilia é argentina, formada em jornalismo, tem 23 anos de idade e trabalha na Editora Abril.

Nós fizemos a ela a mesma pergunta que temos debatido nos últimos dias: A tecnologia mudou o jornalista? E recebemos a sua resposta. Confira abaixo:

“Difícil identificar uma mudança no Ser jornalista quando minha vida profissional começou já inserida no mundo tecnológico. Mas como é um mundo cuja velocidade de mudança cresce a um nível exponencial, a cada hora tem uma coisa nova para aprender. A instantaneidade e rapidez destas inovações é tão alta, que exige uma atualização e formação constante.

Mas até para minha geração, que domina com mais facilidade o mundo digital, fica difícil acompanhar. Faça um teste: entre neste site e veja quantas aplicações e ferramentas da Web 2.0 você conhece. Tenho certeza que vai descobrir muitas que você ignorava. E isso porque até para jornalistas que, por natureza estão sempre antenados, o bombardeio de informação é muito grande.

A tarefa mais difícil atualmente é poder absorver a quantidade de informação que circula na internet. Recebemos tanta coisa, o tempo todo e nos mais variados formatos -matérias de portais, vídeos noYouTube, posts em blogs ou até microblogs , discussões em comunidades, entre outras – que é quase impossível saber discriminar a informação. Como identificar a relevância dela? Alguém sabe?

A essência do jornalismo não mudou. Foi o método que sofreu alterações. No meu caso, nos últimos anos incorporei hábitos tecnológicos dos que dificilmente posso me livrar. Um exemplo, o Google Docs. É uma aplicação que permite editar e compartilhar textos online. Poder trabalhar a quatro ou seis mãos num texto, evitando o ida e volta de milhares de arquivos por email, otimizou parte do meu dia-a-dia.

E, ainda falando dos métodos, podemos citar alguns exemplos simples, até óbvios, da apuração. Sair para fazer uma entrevista sem pesquisar no Google a vida do entrevistado, nem pensar. As redes sociais, como Orkut ou Facebook, hoje servem para pesquisa de fontes. Twitter, YouTube, Flickr, todos eles podem ser úteis. Saber incorporar as inovações tem que ser uma tarefa cotidiana. Sem medo de tornarmos digitais demais, devemos descobrir como podem nos ajudar na nossa profissão.”

Abraços,
Marcelo