Outro dia um amigo me deixou numa, como se diz por aí, numa saia justa. Ele me pediu que transmitisse à sua filha, recém-formada em jornalismo, uma mensagem de otimismo e fé na profissão. Segundo meu amigo, a jovem andava meio desiludida com os rumos dos veículos de imprensa no Brasil e meio descrente na efetiva função social que ela imaginava ser o guia dos jornalistas.
Durante alguns dias pensei no assunto. Não poderia dizer à minha jovem colega que estava de todo errada. Mas também não poderia incentivá-la a mudar sua escolha enquanto é tempo. Nenhuma das alternativas combina comigo – logo eu, tão apaixonada pela profissão, tão jornalista por vocação. Embora, confesso, ande eu também um tanto frustrada com os caminhos da mídia em geral.
Outra coisa que me incomoda é a excessiva glamurização da imprensa e dos jornalistas – um fenômeno tão recente quanto avassalador. Na maioria das salas de aula dos cursos de comunicação o que se vê são estudantes afoitos por um lugar ao sol da fama. Aquele romantismo que nos movia quando, na minha geração, escolhíamos ser jornalistas apenas para presenciar a história, anda bem fora de moda.
Então, o que dizer a um jovem jornalista, ainda mais num ano em que se dará uma das eleições mais polarizadas da história Brasileira – polarização que de certo vai se relfetir nas redações? O que dizer a um jovem jornalista que
de repente olha para o próprio diploma e percebe que este não lhe dá mais vantagem na competição por um emprego, dado que outros profissionais também podem ser jornalistas? Como explicar a ele que isso pode ser bom? Que dizer a um jornalista que vê os novos blogueiros e não reconhece mais o próprio papel como apurador e divulgador de notícias?
Por certo veículos de imprensa estão em crise. Mas, apesar de todo o cenário desolador que eu mesma narro acima, não consigo deixar de acreditar no jornalismo. Não consigo deixar de acreditar no jornalista. Olho para trás e vejo em mim mesma o profissional que nunca teve dúvida diante do que é básico na profissão. Vejo isso em muitos colegas. Talvez seja mais difícil começar nos dias de hoje. Mas ainda é possível ser jornalista. E quanto mais difícil uma missão, mais o verdadeiro jornalista costuma gostar dela.


