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Como se forma um bom jornalista

postado por Sara Lira em 28 de março de 2010

Por Sara Lira*

Certa vez Gabriel García Márquez, escritor e jornalista colombiano, afirmou: “A ética não é uma condição ocasional no jornalismo, mas deve acompanhá-lo sempre, como o zumbido acompanha o besouro”. Atualmente um ponto muito discutido no jornalismo é a questão ética. Muitos julgam que o jornalismo contemporâneo é cerceado por interesses privados, de forma que a tentativa de imparcialidade tem sido deixada de lado.

Mas o bom jornalista sabe que, acima de tudo, seu dever de informar não pode ser velado e que ele deve buscar os vários lados da história. É o que afirma a estudante Luana Borges, do 6º período do curso de Comunicação Social da PUC Minas: “o bom jornalista quer saber de tudo. Ele não fica satisfeito enquanto ele não descobre a verdade, enquanto não vê todos os pontos de vista.

Ter sede de verdade é característica principal de um bom jornalista. Querer saber, de fato, o que aconteceu”, declara. Essa busca pela verdade nem sempre é simples, como observa a jornalista Alessandra Mello. Muitas vezes é necessário enfrentar governantes poderosos ou ir contra ao que a maioria afirma. Para tanto, ela cita a frase de Millôr Fernandes: “Jornalismo é oposição, o resto é balcão de secos e molhados”.

Essa sede de verdade é preponderante para qualquer jornalista, uma vez que passar informação é algo sério e que deve ser tratado com cuidado. Alessandra recomenda que o jornalista que quer fazer um trabalho de qualidade deve correr atrás da notícia sem medir esforços, sem ter preguiça, sendo curioso e tendo a “sacada” de perceber o que é mais importante num fato ou numa entrevista. Para ela, é essencial que o repórter tenha a “percepção da notícia”.

Alessandra ainda completa: “O importante é conseguir no meio de tanta informação que você pegou ali e saber, isso aqui é o lead da matéria, isso aqui é a notícia. É atrás disso aqui que eu vou correr”. Além do mais, a Jornalista diz que a leitura é essencial. “Ler jornal, ler blogs, para assim, formar um olhar crítico sobre os fatos”, conclui.

Mas a formação do bom jornalista começa bem antes de sua inserção no mercado de trabalho. O jornalista que se formou deve ter aproveitado ao máximo o que os quatro anos na Universidade lhe proporcionaram e absorvido todo o conhecimento que os professores lhe passaram. “Não depende do mercado. O mercado absorve bem os profissionais que aproveitaram o curso”, certifica Luana.

O Professor do Curso de Comunicação da PUC Minas, Jair Rangel concorda com essa questão: “Tem que se aventurar. O que vai fazer diferença de aluno para aluno é isso: quem se aventura mais, quem se esforça mais, quem leu mais, quem estudou outras coisas mais, quem teve pensamento científico, pensamento aberto, pensamento mais socializador e não meramente tentando reproduzir técnica”, observa.

Aliás, a técnica deve ser atrelada ao conhecimento geral, ao “pensamento socializador”. Jair diz que o jornalista não deve pensar que, apenas por ter um bom texto, ele é um bom profissional. “Tem que ter uma formação eclética, generalista, sem a necessidade de aprofundamento em tudo. Tem que saber escutar os setores onde ele transita e entender a lógica desses discursos todos”, conclui.

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* Estudante de Jornalismo da PUC. Estagiária da Imprensa da Assembleia Legislativa de MG.


Manual dos Focas: como aproveitar a faculdade além da sala de aula

postado por Concurso CNN em 26 de março de 2010

João Porto*

Se você quer ser jornalista, nada melhor que estudar jornalismo para começar. Entretanto, a sala de aula não é o único ambiente que podemos aprender os trejeitos da profissão. Atividades fora da sala de aula são importantíssimas para a formação de um jornalista.

Palestras e cursos fora da universidade são importantes formas de absorver experiências de profissionais mais tarimbados e também fazer contatos para o futuro. Criar projetos experimentais também são interessantes. Lembro-me que nos primeiros semestres eu e outros membros do Manual dos Focas criamos um programa de rádio para a faculdade – chamava-se Chá da Tarde – tinhámos seis horas na semana para elaborar e produzir conteúdo. O programa era divertido, as vezes até mais divertido do que informativo, e serviu para começarmos a aprender que um jornalista precisa de organização para sobreviver.

Os estágios também são importantíssimos para a formação de jovens jornalistas. São através dos estágios que os estudantes começam a absorver a realidade do que eles vão enfrentar no futuro. O estágio também é interessante para você começar a traçar metas profisisonais e descobrir o que você gosta de trabalhar no amplo mercado de comunicação.

Participar de concursos também pode ser um ótimo aprendizado para a carreira. Aqueles que conseguem boas colocações em concursos promovidos por empresas de comunicação, como a CNN, podem muito bem colocar isso no currículo e aumentar suas referências. Quando estamos formados a busca são pelos prêmios, e às vezes, por processos (risos).

Durante minha estadia na Universidade explorei bastante as ações fora da sala de aula. Participei de várias palestras, inclusive de outros cursos, e tentei conhecer o máximo de pessoas possíveis para criar laços com futuras fontes. Acredito que para ser um bom jornalista é preciso sempre estar em busca de mais informação.

Informação é a principal ferramenta do jornalista, por isso, sempre deve-se buscar por novos conhecimentos.

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*Editor do site Manual dos Focas que é direcionado a estudantes de jornalismo. João é um jovem reporter esportivo que atua em um jornal de Brasília.

‘Minha vitória abriu portas para mim’, diz ganhador de 2009

postado por Concurso CNN em 23 de março de 2010

Texto de Marcos César Oliveira*

Conheci o Concurso Universitário de Jornalismo da CNN através de um cartaz colocado na universidade. No começo, parecia apenas um sonho impossível ganhar. Eu ainda era iniciante na faculdade, sentia que sabia tão pouco e com certeza a concorrência seria muito mais preparada. Mesmo assim, me encantei com a possiblidade de participar, de me arriscar na competição para conhecer o concurso e, se conseguisse me destacar, adicionar um diferencial ao meu currículo.
Mobilizei amigos que se entusiasmaram comigo, contribuiram com seu talento, conhecimento e paciência. Dedico a eles um enorme OBRIGADO DO FUNDO DO MEU CORAÇÃO: Marinaldo Matos (da Kadosh Produções, que meu doou equipamento e edição), Prof. Gilson Monteiro (meu orientador), Leonardo Costa (cinegrafista e amigo) e Eduardo Hübner (Mago da edição).
A notícia
Recebi com surpresa e felicidade a notícia de que havia sido classificado para a final. Ser escolhido por um juri de alto nível profissional já significou uma vitória imensa para quem só queria participar para saber como era o concurso. Ao ser convidado para ir a São Paulo, mais um passo além do que eu pensei. Conhecer os outros finalistas foi um momento especial: trocar idéias e impressões com estudantes como eu, apaixonados pelo jornalismo e cheios de surpresa e alegria por estarem na final. Ganhar o prêmio máximo foi um sonho realizado, e um passo gigantesco para um estudante comum, do norte do Brasil, de origem humilde e com tanto ainda por aprender sobre jornalismo.

E depois?

Minha vitória abriu portas para mim (foi a jóia que reluziu em meu currículo e garantiu o emprego que tenho hoje). Colocou meu nome em evidência no cenário do jornalismo local. Dei entrevistas para todos os meios de comunicação da minha cidade. Fui parabenizado por jornalistas no alto da carreira que confessaram ter o sonho de conhecer a CNN.

Despertou o interesse de centenas de estudantes que passaram a ver com outros olhos o curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Trouxe novo alento aos professores do Departamento de Comunicação da UFAM, que se sentiram felizes e premiados na pessoa do Prof. Gilson Monteiro. Enfim, mudou para melhor a minha trajetória profissional e trouxe muita alegria e orgulho aos meus amigos, colegas de curso, minha Universidade e a minha cidade, Manaus.
Laboratório real time
Este ano quero me dedicar a ajudar outros estudantes das diversas faculdade de Manaus que têm curso de jornalismo, para que nosso talento e nossas notícias possam ganhar repercussão e sejamos vistos pelo Brasil. O Concurso Universitário de Jornalismo da CNN é um concurso sério, e uma oportunidade de aprendizado impar. Conhecer a CNN foi um laboratório de jornalismo em “real time” que expandiu minhas percepções acerca de jornalismo, notícia e papel social da imprensa.

Aprendi muito, conversando com profissionais do primeiro time do jornalismo, em uma emissora que cria os padrões que serão adotados na imprensa televisiva mundial. Ganhar o Concurso da CNN foi para mim a prova definitiva de que o talento e a persistência podem conquistar grandes coisas e nos levar além daquilo que sonhamos.


Em todo estudante que acreditar no próprio talento e produzir sua reportagem para o Concurso da CNN 2010 já está plantada a semente do sucesso e da vitória.
Boa sorte a todos os participantes!

A reportagem

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Estudante da Universidade Federal do Amazonas, vencedor do Concurso Universitário CNN 2009, escreveu sobre tudo que aconteceu em sua carreira depois do prêmio.

Meu DNA é digital

postado por Concurso CNN em 19 de março de 2010

Por Tiago Dória*

Sempre é difícil falar da própria carreira profissional. Nós, jornalistas, somos treinados a não ser protagonistas, a sempre sermos neutros e analisarmos os fatos com o olhar de uma pessoa de fora. Por isso que para muitos é difícil falar de si mesmo.

Para mim, não é diferente. Mas vou tentar contar a vocês dois momentos marcantes da minha carreira profissional, conforme a organização me pediu.

Já trabalhei com mídia impressa, rádio e TV (antes da MTV), mas o meu DNA é digital. Foi em torno do meu blog, que mantenho desde 2003, que construí a minha reputação na área de jornalismo.

Há 7 anos, sem interrupções, faço uma pesquisa diária sobre assuntos ligados às áreas de cultura digital, mídia e tecnologia. Hoje, é um dos principais blogs de mídia, lido por importantes profissionais das áreas de tecnologia e comunicação dentro e fora do Brasil.

Diariamente, escrevo, edito, faço vídeos, opino e analiso as informações e, principalmente, conheço pessoas interessantes e talentosas por meio dele.

Por isso, já que atualmente a minha carreira gravita em torno do blog, achei justo separar dois momentos marcantes que tive relacionados a ele:

O primeiro foi durante o Tsunami na Ásia, em 2004. Logo que as primeiras informações começaram a circular em fóruns de discussão, resolvei fazer um liveblogging da tragédia. Comecei a agregar as informações e a manter um fluxo constante sobre a tragédia, mais ou menos como hoje já é prática comum no jornalismo online.

Durante a cobertura, quando me dei conta, já estava em uma rede internacional de blogs que estavam relatando o Tsunami. A rede foi criada de forma orgânica, sem ninguém dar uma ordem, começamos a trocar informações e fazer links um para o outro. Meu blog foi linkado no verbete da Wikipedia a respeito da tragédia e logo recebeu milhares de visitas e comentários. Pessoas começaram a trocar dados sobre desaparecidos e locais para doar alimentos. Era o único blog em língua portuguesa que estava cobrindo a tragédia.

Eu já tinha essa noção, mas isso, de certa maneira, intensificou mais ainda a ideia sobre o quanto a internet pode ser uma importante fonte de informações para mobilizar e conectar pessoas ao redor de questões importantes. Percebi o quanto o meu trabalho, que começou de forma descompromissada, era importante.

O segundo momento marcante foi ter sido convidado para ser blogueiro oficial da Pop!Tech, que é uma das principais conferências sobre ciência e tecnologia do mundo. Chris Anderson, Robert Metcalfe e Malcolm Gladwell são algumas personalidades sempre presentes.

No caso, atuei como “bridge-blogger”, fazendo uma ponte entre o que era dito nas apresentações e o que estava acontecendo no Brasil. Para mim, foi um experiência muito enriquecedora. Não somente pelo blog ter sido citado no BoingBoing e na Wired, mas por fazer parte dessa comunidade de pensadores que é a Pop!Tech.

Aprendi duas coisas relacionadas à profissão com esses momentos.

Primeiro, no caso do Tsunami, levei a lição de que o jornalista não pode mais trabalhar como se estivesse numa ilha. Ele não usa a rede, ele está em rede. E é mais um nó nessa grande rede de comunicação mediada por computadores.

No caso da Pop!Tech, aprendi que, mais cedo ou tarde, o seu trabalho será reconhecido. Pode parecer que não, mas sempre tem alguém observando o seu trabalho e, às vezes, dos lugares onde você menos espera.

Enfim, sei que é meio difícil falar isso para quem é estudante, ou está começando na carreira, louco para fazer e acontecer. Mas, na área de jornalismo, muitas vezes, o mais importante não é conquistar tudo de uma vez, e sim buscar o equilíbrio, ir devagar, mas sempre e constante. Tenho certeza que, dessa maneira, as conquistas em sua carreira serão bem mais consistentes.

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* O jornalista Tiago Dória está entre os jurados do Concurso CNN deste ano.  Saiba mais sobre ele!

A Sociedade da Tecnologia

postado por Concurso CNN em 9 de junho de 2009

Recebemos o texto abaixo da Ingrid da Silva Pinto. Ela é estudante de direito e escreve no blog http://guiadebolsojuridico.blogspot.com. Achei muito bacana que ela, estudante de Direito, tenha se interessado pelo Concurso CNN e se engajado com a causa a ponto de escrever um texto para compartilhar conosco:

‘O que conhecemos hoje como “a sociedade da tecnologia” já era uma realidade esperada desde a segunda metade da década de 70, quando começou a se desenvolver a chamada “Revolução Telemática” ou Terceira Revolução Industrial. Este é um progresso presumível que gira em torno da integração e comunicação, com o slogan, também, de “informação ao alcance de todos”. O processo aconteceu através dos computadores pessoais, das câmeras de vídeo e foto, webcams, pendrives, zipdrives. São as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTIC).

De fato, se abriu um leque de opções: agora você pode assistir ao noticiário pela internet com o seu notebook de qualquer lugar do mundo, assinar as principais revistas do Brasil pelo celular, fazer vídeos conferências e o advogado pode valer-se do meio eletrônico para acompanhar seus processos; contudo, como se tem usado todas essas informações e recursos disponibilizados?

As conseqüências do uso da tecnologia em excesso trazem consigo o que a própria ciência da informação esclarece: a distinção entre informes de informações e contra-informações, em resumo, meras notícias são diferentes da capacidade crítica de interpretá-las ou, ainda, o que é pior, usá-las sem o discernimento de que poderá conduzir até mesmo à autodestruição (a exemplo de pessoas que exploram o recurso da internet afim de se medicar, acabando por trocar o médico pela informação fácil, nem sempre correta). São doenças, vícios que surgiram em virtude do mau uso dessas novas tecnologias, a citar o stress, perca de senso do tempo, imediatismo, atitudes anti-sociais e tantos outros.

Em contrapartida, ao se tornar a sociedade da tecnologia, garante-se uma maior facilidade e rapidez de acesso à informação, bem como levamos a educação a uma nova dimensão, quantos e quantos cursos são disponíveis hoje à longa distância?

Enfim, apesar de todos os prós e contras de tudo aquilo que é novo, percebe-se que, sabendo limitar essas novas tecnologias, não fazendo, portanto, mau uso, tudo que contribua a esse leque, é e sempre será bem-vindo’.

Dando continuidade aos textos de convidados aqui no blog, dessa vez o texto é da blogueira e estudante de Estudante de Ciências da Computação – PUC-SP, Camila Leite.

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Agora a comunicação não se restringe ao seu bairro, ao local onde você trabalha ou estuda. Você pode trocar opiniões com pessoas de outro estado ou até mesmo outro país, dependendo dos idiomas que você domina. A criação de redes de relacionamento como o Twitter, ou até mesmo o MySpace que é mais usado para a divulgação de trabalhos no universo musical, apenas comprovam como as pessoas tem interesse em se comunicar com mais pessoas. A forma de como as pessoas reagem a essas redes é tão adepta que elas até mesmo as personalizam. O Twitter por exemplo, criado como um miniblog (quem nunca leu aquela frasezinha na parte de cima do site “What are you doing?”) agora é mais utilizado como um mecanismo de recados, ou até mesmo conversas. Essas transformações no mundo da comunicação permite que as indivíduos on-line possam visualizar idéias e conteúdo de usuários offline, por meio de seus blogs, fotologs e o mais recente popularizado Fa cebook.

Essa facilidade de deixar que suas idéias possam ser visualizadas e até mesmo comentadas nos remete ao aumento no número de blogs e popularização desses sites de relacionamento. Não precisamos aqui nem falar do Orkut, porque se há dois, três ou quatro anos atrás ele era tão popular quanto o próprio Twitter, hoje ter um perfil no orkut é tão normal quanto ter um número de telefone.

Todas essa mudança na comunicação é consequencia do avanço tecnológico em volta do globo, e se a comunicação se revoluciona, a forma de informação se revoluciona ainda mais. Se quando a invenção do jornal impresso alterou a natureza da cultura oral, agora com tantas fontes de informação (grande parte delas na própria internet) se tornou muito mais difícil elaborar um jornalismo objetivo e direto, mas também possibilita que o leitor tenha mais facilidade de compreender o mundo a sua volta.