Hoje temos mais um post de um convidado, desta vez, do Professor e Coordenador do curso de Comunicação Social – Unipac/Lafaiete, Darlan Santos.
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“Bons tempos aqueles em que jogador de futebol era analfabeto e jornalista, alfabetizado”
A frase, publicada no célebre jornal “O Pasquim”, afora a duvidosa relação entre bom futebol e analfabetismo, leva-nos a uma reflexão essencial: é preciso investir na formação humanística dos estudantes de jornalismo.
A crescente valorização da técnica, em detrimento da discussão embasada, do incentivo à leitura e da prática da escrita, tem trazido sérias conseqüências aos aspirantes à carreira jornalística. O que se observa nas faculdades de comunicação, de maneira geral, é a falta de profundidade intelectual e de capacidade analítica dos estudantes; deficiências que se revelam em textos empobrecidos e no tratamento simplório das notícias, o que, definitivamente, não contribui para o aprimoramento da imprensa brasileira.
Certamente, a modernização dos cursos, a inclusão digital e a ênfase em novas mídias tornam-se essenciais em nossos dias. Entretanto, por mais avançados que sejam os recursos midiáticos, eles não se sustentam isoladamente; precisam ser providos com um discurso consistente. E é aí que entra em cena a formação humanística do jornalista.
Assim como a especialização, a familiarização com os mais avançados recursos tecnológicos e a capacidade de transitar entre as diversas mídias disponíveis no mercado da informação, o jornalista deve adotar, como palavras de ordem, a inquietação, o senso crítico e o embasamento intelectual.
Enfim, a diferença entre um ‘menino de recados’ e o bom jornalista é que o primeiro leva uma mensagem ao seu destinatário, sem questioná-la. Já a diferença entre um ‘menino de recados’ e o mau jornalista, simplesmente não há… Tendo em mente essa distinção – simplista, sem dúvida, mas útil à discussão – jovens que ingressam em uma faculdade de jornalismo devem estar atentos aos caminhos que pretendem trilhar – definindo, assim, em qual das duas situações pretendem se encaixar