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Tiago Dória – Tecnologias, jornalismo e humanismo devem andar juntos

postado por Concurso CNN em 19 de junho de 2009

Chamamos mais um jurado da triagem para escrever um post sobre o tema do Concurso deste ano. Dessa vez quem escreveu foi o Tiago Dória.
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Michael Dertouzos, falecido cientista do MIT, dizia que ainda persistimos num erro: separamos tecnologia e humanismo. Aliás, um dos maiores erros da humanidade já há 300 anos.

Na visão do cientista, computadores ainda são vistos como coisas frias e distantes. Um contraponto ao homem.

No entanto, as tecnologias sempre tiveram um papel chave no desenvolvimento humano. Garfos, facas, a eletricidade, tudo isso é tecnologia.

É quase impossível não associar tecnologia a desenvolvimento social. Na visão de Dertouzos, as tecnologias existem para o bem estar, tornar a vida do homem melhor, para resolver problemas, caso contrário, não existe muita razão delas existirem.

Por isso, acredito que o pensamento de Dertouzos seja um ótimo parâmetro para quem gosta de ver as tecnologias como ferramentas para o desenvolvimento social.

Mas, vamos pensar em exemplos mais recentes, a fim de ajudar a sedimentar a visão humanista desse cientista do MIT, que faleceu em 2001 e escreveu um ótimo livro chamado “A revolução inacabada”, no qual bate na tecla de que o principal objetivo da tão comentada “revolução da informação” é simplificar a vida as pessoas

Um exemplo do uso da tecnologia de comunicação móvel para potencializar o desenvolvimento social a gente vê na África, onde os celulares já são os principais meios de acesso à internet.

Já que é difícil ter acesso a computadores com acesso à banda larga na região, em razão, sobretudo, de entraves financeiros e infra-estrutura precária, programas de combate e prevenção à AIDS são todos calcados no uso do celular para espalhar informações de prevenção.

No meio desses cenários, surgem organizações importantes que são guiadas pelo uso da tecnologia no desenvolvimento social, como a organização Datadyne, que tem projetos no Chile. Ou seja, é a tecnologia a favor do bem estar.

Essa visão de Dertouzos promete ser ratificada cada vez mais hoje em dia, época de contenção mundial, quando justamente a união entre tecnologia e humanismo faz mais sentido. Em tempos de crise, busca-se o mais econômico, o mais prático.

O que faça mais por menos e de forma mais eficiente. É também nessa época que começam a surgir as grandes inovações, as coisas mais simples passam a ter mais valor e o lado mais prático e social das tecnologias fica mais evidente.

O jurado Eduardo Acquarone mandou um texto

postado por Concurso CNN em 15 de junho de 2009

Pedimos para o jurado da triagem, Eduardo Acquarone enviar um texto sobre o tema do Concurso deste ano e ele enviou um bem curto e eficiente. É bem pequeno, mas pense no impacto da tecnologia nos dois exemplos que ele deu. São exemplos reais e que acontecem aos montes no mundo. Se pensarmos que milhares de pessoas entram na internet pela primeira vez a cada dia, que outras milhares têm acesso a inovações tecnológicas que as permitem melhorar serviços, produtos em prol da sociedade tudo fica mais claro.

Segue o texto do Eduardo Acquarone:

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Hoje ouvi uma história muito interessante. Uma amiga passou o fim de semana no Rio e foi à Rocinha ajudar em um projeto social. Num boteco da favela ela conheceu um senhor — uns 60 anos mais ou menos — analfabeto. Agora ele está querendo aprender a ler e escrever. Pra quê? Pra entrar na Internet.

E vejam o que minha amiga me contou: “Enquanto conversávamos ele precisou fazer uma ligação. Para minha surpresa, ele fez a ligação via Skype.”

Quer melhor exemplo de tecnologia usada para desenvolvimento social?

A Sociedade da Tecnologia

postado por Concurso CNN em 9 de junho de 2009

Recebemos o texto abaixo da Ingrid da Silva Pinto. Ela é estudante de direito e escreve no blog http://guiadebolsojuridico.blogspot.com. Achei muito bacana que ela, estudante de Direito, tenha se interessado pelo Concurso CNN e se engajado com a causa a ponto de escrever um texto para compartilhar conosco:

‘O que conhecemos hoje como “a sociedade da tecnologia” já era uma realidade esperada desde a segunda metade da década de 70, quando começou a se desenvolver a chamada “Revolução Telemática” ou Terceira Revolução Industrial. Este é um progresso presumível que gira em torno da integração e comunicação, com o slogan, também, de “informação ao alcance de todos”. O processo aconteceu através dos computadores pessoais, das câmeras de vídeo e foto, webcams, pendrives, zipdrives. São as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTIC).

De fato, se abriu um leque de opções: agora você pode assistir ao noticiário pela internet com o seu notebook de qualquer lugar do mundo, assinar as principais revistas do Brasil pelo celular, fazer vídeos conferências e o advogado pode valer-se do meio eletrônico para acompanhar seus processos; contudo, como se tem usado todas essas informações e recursos disponibilizados?

As conseqüências do uso da tecnologia em excesso trazem consigo o que a própria ciência da informação esclarece: a distinção entre informes de informações e contra-informações, em resumo, meras notícias são diferentes da capacidade crítica de interpretá-las ou, ainda, o que é pior, usá-las sem o discernimento de que poderá conduzir até mesmo à autodestruição (a exemplo de pessoas que exploram o recurso da internet afim de se medicar, acabando por trocar o médico pela informação fácil, nem sempre correta). São doenças, vícios que surgiram em virtude do mau uso dessas novas tecnologias, a citar o stress, perca de senso do tempo, imediatismo, atitudes anti-sociais e tantos outros.

Em contrapartida, ao se tornar a sociedade da tecnologia, garante-se uma maior facilidade e rapidez de acesso à informação, bem como levamos a educação a uma nova dimensão, quantos e quantos cursos são disponíveis hoje à longa distância?

Enfim, apesar de todos os prós e contras de tudo aquilo que é novo, percebe-se que, sabendo limitar essas novas tecnologias, não fazendo, portanto, mau uso, tudo que contribua a esse leque, é e sempre será bem-vindo’.